A África do Sul iniciou em Angola uma nova fase do programa de repatriamento dos restos mortais de cidadãos sul-africanos que morreram no exílio durante a luta contra o apartheid, num processo que pretende devolver às famílias os restos mortais de pessoas que permaneceram sepultadas em território angolano durante décadas.
O Governo sul-africano estima que existam em Angola mais de 400 possíveis sepulturas de sul-africanos, muitas delas associadas a membros do movimento de libertação que passaram pelo país durante os anos de conflito. A identificação e recuperação dos restos mortais fazem parte de um programa mais amplo destinado a localizar cidadãos sul-africanos que morreram no exílio e permitir o seu regresso ao país de origem.
A operação envolve as autoridades dos dois países e deverá incluir trabalhos de localização, identificação e exumação, antes do repatriamento dos restos mortais para a África do Sul. O processo pretende também esclarecer a identidade de pessoas cujas famílias permaneceram durante décadas sem saber exactamente onde se encontravam sepultadas.
A iniciativa assume particular significado nas relações entre Angola e África do Sul. Durante a luta contra o apartheid, Angola acolheu membros do Congresso Nacional Africano (ANC) e serviu de retaguarda a combatentes sul-africanos. Muitos permaneceram no país durante o conflito armado e alguns morreram em território angolano.
O processo de recuperação em Angola ocorre num momento em que a África do Sul intensifica os esforços para localizar e repatriar cidadãos que morreram durante o exílio. O programa inclui também outros países da região onde sul-africanos encontraram refúgio ou perderam a vida durante a luta de libertação.
Para as famílias, o repatriamento representa o encerramento de um capítulo doloroso marcado pela ausência e pela incerteza. Para Angola e África do Sul, o processo recupera uma parte pouco conhecida da história comum dos dois países e da luta de libertação da África Austral.
A operação poderá também contribuir para aprofundar a cooperação entre Luanda e Pretória na investigação histórica, identificação de restos mortais e preservação da memória daqueles que participaram na luta contra o apartheid.
