O kwanza deu um passo histórico rumo à internacionalização, ao ser integrado no Sistema Regional de Liquidação Bruta em Tempo Real da SADC (SADC-RTGS). Cinco bancos angolanos — BAI, BIC, BNI, BCS e Yetu — passaram a processar pagamentos transfronteiriços em moeda nacional para os países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.
A formalização ocorreu a 27 de Julho, entre o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, e o presidente do Comité de Governadores dos Bancos Centrais da SADC, Lesetja Kganyago.
A entrada do kwanza põe fim a 13 anos em que o rand sul-africano era a única moeda aceite para liquidação directa na plataforma, que reúne 16 países. Angola torna-se assim o segundo membro com moeda própria no sistema, seguindo-se o Botsuana com o pula.
A medida elimina conversões intermédias para dólar, euro ou rand, reduzindo custos, diminuindo o risco cambial e acelerando as transacções comerciais. As empresas angolanas podem agora pagar bens e serviços a parceiros da SADC directamente em kwanzas.
O BNA considera este “um passo importante na modernização do sistema financeiro nacional”, que deverá estimular o comércio regional — ainda reduzido, representando apenas 6% do comércio externo angolano, apesar de um crescimento de 9% no último ano, para 2,787 mil milhões de dólares.
A integração no SADC-RTGS reforça a soberania financeira e a posição de Angola no continente, alinhando-se com iniciativas como o Sistema Pan-Africano de Pagamentos (PAPSS) e abrindo novas perspectivas para a afirmação regional do kwanza.
