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Angola entra no radar da disputa entre China, Rússia e Ocidente antes das eleições de 2027, diz estudo

Angola está a ganhar importância na disputa de influência entre a China, a Rússia e os países ocidentais, num momento em que a aproximação das eleições gerais de 2027 e o crescente interesse pelos minerais críticos estão a aumentar o peso estratégico do país, segundo um estudo do Egmont Institute.

Intitulado “Angola between China, Russia and the West: Elections, Critical Minerals and Regional Realignment”, o estudo, assinado pelos investigadores Rui Verde e Erik Kennes e publicado a 1 de Junho de 2026, analisa a posição de Angola perante a crescente competição geopolítica e económica entre grandes potências. 

Para os autores, Angola encontra-se perante uma transformação da sua posição internacional, impulsionada não apenas pelos seus recursos naturais, mas também pela sua localização estratégica e pelo papel que pode desempenhar nas novas cadeias de abastecimento de minerais críticos.

O interesse das potências pelo país está particularmente associado ao Corredor do Lobito, considerado uma das principais vias para ligar os recursos minerais da República Democrática do Congo e da Zâmbia aos mercados internacionais através do Atlântico.

A crescente importância dos minerais críticos está a alterar, entretanto, a forma como as grandes potências olham para África. Cobalto, cobre, lítio e outros minerais utilizados na transição energética e nas indústrias tecnológicas passaram a ocupar um lugar central na competição económica e geopolítica internacional.

É neste contexto que, segundo o estudo, Angola procura manter uma política externa pragmática, preservando relações com parceiros tradicionais, como a China, enquanto aprofunda a cooperação com os Estados Unidos e outros países ocidentais.

A China continua a ocupar uma posição particularmente importante na economia angolana, depois de duas décadas de forte presença em infra-estruturas, financiamento e comércio. Ao mesmo tempo, a aproximação de Luanda a Washington ganhou uma dimensão estratégica através do Corredor do Lobito e da cooperação ligada aos minerais críticos.

A Rússia constitui outro elemento da equação, sobretudo no domínio político, diplomático e da segurança, num momento em que Moscovo procura preservar e ampliar a sua influência em África.

O factor 2027

O estudo atribui especial importância às eleições gerais previstas para 2027. A sucessão política em Angola poderá ter consequências para o equilíbrio das relações externas do país, sobretudo num contexto em que as grandes potências procuram garantir posições nas futuras cadeias de fornecimento de matérias-primas estratégicas.

Os autores consideram que a China poderá procurar preservar a sua influência para além da actual liderança política, incluindo através de canais de relacionamento com diferentes sectores do MPLA. Esta avaliação é apresentada no estudo como uma interpretação política e não como um facto comprovado. 

A questão torna-se particularmente sensível porque Angola procura simultaneamente reforçar a sua margem de manobra externa. Luanda tem aprofundado a relação com os Estados Unidos e países europeus, sem romper com a China ou com a Rússia.

Esta estratégia permite ao Governo angolano negociar com diferentes centros de poder, mas também coloca o país perante uma competição crescente entre parceiros que procuram assegurar acesso a recursos, mercados e posições estratégicas.

Para Angola, o desafio será transformar esta competição externa numa vantagem nacional, evitando que o interesse internacional pelos seus recursos se traduza apenas em novas formas de dependência.

O estudo do Egmont Institute surge, assim, num momento em que Angola procura reposicionar-se como potência regional e como plataforma para o acesso aos recursos minerais da África Central e Austral.

A questão que se coloca para os próximos anos é se Luanda conseguirá utilizar o crescente valor geopolítico dos seus recursos e do Corredor do Lobito para aumentar a sua autonomia estratégica ou se a competição entre China, Rússia e Ocidente acabará por limitar a margem de manobra do país.

O relatório Angola between China, Russia and the West: Elections, Critical Minerals and Regional Realignment, de Rui Verde e Erik Kennes, foi publicado pelo Egmont Institute em Junho de 2026 e encontra-se disponível em acesso aberto através do JSTOR.

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