Antónia Matias

Apagão na Unitel gera filas quilométricas nas lojas da Africell e Movice
Em função da falha no sistema da operadora Unitel, as lojas das operadoras Africell e Movicel registaram grandes enchentes, com os clientes à procura de alternativas para continuarem ligados ao mundo digital.
A procura por chips destas duas companhias disparou nos últimos três dias, uma vez que a principal operadora móvel do país ainda não conseguiu restabelecer os seus serviços em todo o território nacional, embora parte da imprensa tenha noticiado que os serviços da Unitel estavam a ser restabelecidos.
A nossa equipa de reportagem da Southern Bridges passou por algumas agências, tanto da Africell como da Movicel, onde teve a oportunidade de ouvir alguns clientes.
Convidado a falar à nossa reportagem, o jovem Edvaldo Silva afirmou que, mal se apercebeu da quebra do sistema da rede Unitel, correu logo para uma agência da Africell para adquirir um chip. “No mundo de hoje, estar off-line é uma grande falha. Por isso, não pensei duas vezes. Preciso de estar ligado para falar com os meus contactos”, disse, divertido.
Edvaldo, que diz ser cliente da Unitel há bastante tempo, afirmou que o único problema da Africell eram as enchentes nas suas lojas de atendimento. “Parece que toda a gente tomou a mesma medida que eu. As lojas estão cheíssimas em todo o lado. O pessoal está à procura de chips”, atirou.
Embora tenha decidido adquirir um chip da Africell, Edvaldo diz que era o segundo dia em que voltava à loja, porque, na terça-feira, o cenário era pior “do que hoje”.
Já a senhora Helena Monteiro, de 47 anos, afirma que ficou surpreendida com a afluência de pessoas nas agências da Africell, uma vez que «não é costume». “Isto até parece uma praça”, sorriu, afirmando mais à frente que as operadoras de telefonia móvel devem fazer um grande esforço para melhorar os seus serviços.
“Assim não dá. Já temos problemas com a Unitel, que não diz exactamente o que se passou aos clientes, e estamos todos aflitos porque precisamos de trabalhar, contactar as nossas famílias, e não conseguimos, porque os telefones não funcionam e a rede está péssima, o que dificulta também alguns pagamentos com o Multicaixa”, advertiu.
Mas a Africell não foi a única apanhada de surpresa pela avalanche de pessoas que recorreu às suas lojas e que teve de se preparar à última hora para dar uma resposta satisfatória aos seus clientes.
Depois de passar por um período de remodelações, a Movicel, que regressou recentemente ao mercado com uma nova imagem e novas ofertas de serviços, foi também invadida por antigos e novos clientes à procura de soluções, porque “precisam de continuar ligados ao mundo virtual”.
“Bom, não estávamos à espera, de um momento para o outro, recebermos um número considerável de pessoas à procura dos nossos serviços. Mas, como somos profissionais, procurámos resolver o problema, que passava pela venda de chips e carregamentos com os novos planos de internet”, disse uma funcionária que preferiu falar sob condição de anonimato.
A situação é tão grave que, em determinadas lojas por onde passámos, os seguranças estão a distribuir senhas, que esgotam logo nas primeiras horas, devido ao aumento da procura.
Paula Fortunato, outra cliente da Unitel, diz estar muito desapontada com a situação, porque esta está a afectar negativamente o dia-a-dia do seu trabalho, uma vez que depende da internet. Paula aconselha as operadoras Africell e Movicel a criarem estratégias para evitar o aglomerado de clientes na procura dos seus serviços e pede à Unitel que supere, o mais depressa possível, o ataque cibernético de que a companhia foi alvo.