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Bárbara Fraticelli destaca papel das personagens infantis na literatura angolana

A crítica literária Bárbara Fraticelli destacou, na mais recente edição das “Conversas da Academia à Quinta-feira”, a relevância da representação das personagens infantis na literatura angolana, tendo como ponto de partida obras de Alda Lara, Luandino Vieira, Pepetela e Ondjaki.

Ao apresentar a comunicação subordinada ao tema “A cidade de Luanda e as suas infâncias literárias”, perante académicos de Angola, Arábia Saudita, Bélgica, Brasil, Espanha, Moçambique e Portugal, sob moderação do crítico literário António Quino, a investigadora abordou igualmente a presença da infância nas obras de Boaventura Cardoso, Roderick Nehone, Jofre Rocha e Arlindo Barbeitos.

Durante a conferência, Bárbara Fraticelli explicou que, nos três períodos analisados — Colonial, Luta de Libertação e Pós-Independência —, a representação da infância espelha a estratificação social, evidenciando as diferenças vividas pelas crianças em função da condição socioeconómica das suas famílias.

Segundo a crítica literária, essa realidade é retratada através de elementos que revelam “a dor, a miséria, a frustração e os sonhos não concretizados das crianças”, tanto no período colonial como durante a guerra civil.

No decorrer da sua exposição, revisitou obras marcantes de Alda Lara e Luandino Vieira, entre elas o poema “Prelúdio” e o livro de contos “A Cidade e a Infância”, destacando a valorização da inocência infantil e a denúncia das desigualdades sociais perante a expansão da chamada “cidade de asfalto”.

A análise incidiu ainda sobre “As Aventuras de Ngunga”, de Pepetela, apresentada como uma obra emblemática da formação do “homem novo” durante a luta de libertação. A reflexão estendeu-se igualmente à produção literária de Ondjaki, cuja escrita é marcada, segundo a conferencista, pela “urgência da memória”, resgatando vivências da infância e da cidade de Luanda como elementos centrais da construção da identidade angolana.

Fonte: Jornal de Angola

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