O Botswana está a acelerar os esforços para diversificar a sua economia e reduzir a dependência dos diamantes, numa altura em que a queda das receitas do sector expõe as fragilidades de um modelo económico construído durante décadas à volta da mineração.
A questão voltou a ganhar destaque esta semana, quando o Governo reconheceu que a transformação económica é uma necessidade cada vez mais urgente.
Gaborone prepara-se para celebrar 60 anos de independência num momento em que o mercado mundial de diamantes enfrenta mudanças estruturais, incluindo a menor procura e a crescente concorrência dos diamantes produzidos em laboratório.
Os diamantes continuam a ser a principal fonte de receitas do país, mas o Governo pretende utilizar a riqueza acumulada pelo sector para desenvolver novas áreas de actividade. Entre os sectores em vista estão a agricultura, o turismo, a tecnologia, os serviços, a indústria transformadora e a exploração de outros minerais.
O Executivo do Presidente, Duma Gideon Boko, lançou, recentemente, o Botswana Economic Transformation Programme (BETP), que pretende transformar o país numa economia mais orientada para os serviços, para as exportações e para o investimento privado.
O vice-presidente e ministro das Finanças, Ndaba Gaolathe, tem defendido que o Estado não poderá continuar a ser simultaneamente o principal financiador, empregador e cliente da economia.
A estratégia passa também pela própria indústria mineira.
O Governo botswanês pretende aumentar a exploração de minerais para além dos diamantes, incluindo minerais críticos, numa tentativa de aproveitar recursos ainda pouco estudados.
Cerca de 70% do território do Botswana permanece, segundo o Ministério dos Minerais, por explorar de forma adequada, abrindo espaço para novas descobertas de cobre, cobalto e outros minerais.
A diversificação começa também a ser procurada através do comércio externo.
O Botswana está a preparar o aumento das exportações de carne bovina, citrinos e outros produtos para a China, depois das novas medidas chinesas de isenção de tarifas para produtos provenientes de países africanos.
Segundo o Governo, o comércio entre Botswana e China atingiu 852 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um aumento de 58% face ao mesmo período do ano anterior. O país espera utilizar o acesso ao mercado chinês para aumentar as exportações e criar empregos fora da cadeia dos diamantes.
A urgência da mudança está relacionada com o desempenho recente da economia. O Botswana registou contracções em 2024 e 2025, afectado principalmente pela queda das receitas dos diamantes.
O Banco Mundial defende uma transição para um modelo de crescimento liderado pelo sector privado, acompanhado por investimentos em competências, agricultura, turismo, energias renováveis e economia digital.
Apesar da necessidade de diversificação, o Governo não pretende abandonar os diamantes. A estratégia passa por manter o sector como uma fonte importante de receitas enquanto utiliza essa riqueza para construir novas actividades económicas.
No centro desta estratégia está também o recém-criado Diamonds for Development Fund, estabelecido no âmbito das negociações do acordo de comercialização de diamantes com a De Beers. O fundo deverá canalizar recursos para sectores como agricultura, turismo e tecnologia.
O desafio para Gaborone será transformar essa intenção em actividades capazes de gerar emprego, exportações e receitas públicas suficientes para reduzir a vulnerabilidade do país aos ciclos do mercado de diamantes.
