O Botswana está a criar um novo mecanismo para canalizar parte da riqueza gerada pelos diamantes para investimentos capazes de beneficiar directamente os cidadãos e diversificar a economia, numa altura em que o país procura reduzir a sua dependência do sector diamantífero.
O Diamonds for Development Fund, criado pelo Governo do Botswana em parceria com a De Beers, deverá receber um investimento inicial de 1 bilião de pula, podendo atingir até 10 biliões de pula. O fundo pretende financiar sectores para além da cadeia tradicional dos diamantes e apoiar o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento.
A iniciativa ganhou novo impulso com a nomeação do antigo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, para presidente do conselho do fundo. A estrutura deverá procurar projectos capazes de gerar crescimento económico, diversificação e novas oportunidades para os cidadãos botsuaneses.
O objectivo surge num momento de maior pressão sobre o modelo económico do Botswana.
A queda das receitas dos diamantes tem reduzido o espaço orçamental do Governo e aumentado a urgência de encontrar novas fontes de emprego, investimento e receitas. A agricultura, o turismo, a transformação agro-industrial, a indústria e os serviços baseados no conhecimento estão entre os sectores apontados para a diversificação.
A questão da distribuição da riqueza mineral não é nova no Botswana. O país tem utilizado as receitas provenientes dos diamantes para financiar serviços públicos e investimentos nacionais. O Governo de Duma Boko procura agora aprofundar esse modelo, defendendo maior participação dos cidadãos e maior valor acrescentado dentro do próprio país.
A iniciativa também surge num período de renegociação da relação entre o Botswana e a De Beers, parceira do Estado na Debswana. Um acordo anunciado anterior prevê o aumento gradual da parcela de diamantes comercializada pelo Botswana, enquanto Gaborone procura também aumentar a sua participação na própria De Beers.
Com o novo fundo, o desafio passa por transformar a riqueza mineral em capital para novas actividades económicas, evitando que a diversificação fique limitada à exploração de novos recursos.
Para o Botswana, trata-se de procurar fazer com que os diamantes financiem não apenas o presente, mas também uma economia menos dependente deles no futuro.
