A ministra dos Minerais e Energia do Botsuana, Bogolo Joy Kenewendo, afirmou esta semana que o seu país está a assistir a uma recuperação gradual da procura por diamantes naturais em mercados estratégicos como os Estados Unidos e a China, numa evolução impulsionada, em parte, por campanhas globais de promoção da indústria diamantífera.
Apesar dos primeiros sinais de recuperação, Gaborone pretende manter uma política de controlo da oferta para apoiar um mercado que continua sob pressão devido à incerteza económica internacional e ao crescimento da procura por diamantes sintéticos.
Os diamantes representam, tradicionalmente, cerca de um terço das receitas nacionais do Botsuana, tornando o sector um dos pilares da economia do país.
Segundo Bogolo Joy Kenewendo, o país conseguiu reduzir os níveis de inventário acumulados e está agora concentrado na gestão da produção directamente proveniente das minas. A governante sublinhou que o seu país continuará a adoptar uma postura disciplinada em matéria de oferta, considerando que a estabilidade do mercado depende, em grande medida, da gestão responsável dos principais produtores.
Em 2025, a Debswana Diamond Company, empresa detida em parceria pelo Governo do Botsuana e pela De Beers, responsável por cerca de 90% das vendas de diamantes do país, chegou a suspender temporariamente a produção em algumas minas devido à fraca procura internacional.
Venda da De Beers entra na fase final
Entretanto, as negociações em torno da venda da De Beers, colocada no mercado pela Anglo American no âmbito de uma reestruturação do grupo, encontram-se na fase final, revelou a ministra botsuanesa, sem adiantar pormenores devido às cláusulas de confidencialidade que regem o processo.
Além do Botsuana, que detém 15% da De Beers, Angola e a Namíbia manifestaram interesse em adquirir uma participação na histórica produtora de diamantes.
Na segunda-feira, o ministro angolano dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro de Azevedo, afirmou que Angola pretende assegurar uma participação que lhe permita influenciar decisões estratégicas da empresa. O governante acrescentou existir uma “perfeita sintonia” entre Luanda e Gaborone relativamente ao futuro da De Beers.
Na semana passada, o director executivo da companhia, Al Cook, admitiu que um acordo poderá ser alcançado nas próximas semanas, acrescentando que a nova estrutura accionista deverá assentar num modelo de parceria público-privada.
De acordo com fontes citadas pela Reuters, restam actualmente dois consórcios na corrida pela aquisição de participações na De Beers, depois de seis grupos terem manifestado interesse em 2025. Entre os candidatos figuram governos de países produtores de diamantes, o antigo presidente executivo da De Beers, Gareth Penny, actualmente presidente da gestora de activos Ninety One, um fundo de investimento do Qatar e o empresário israelita Nir Livnat.
Fonte: Reuters
