A directora da RT fez uma rara avaliação pessoal do Presidente russo numa entrevista ao académico e comunicador chinês Zhang Weiwei.
Margarita Simonyan, directora editorial do canal de televisão RT, considerado o principal órgão de comunicação internacional do Kremlin, afirmou em entrevista que Vladimir Putin é, acima de tudo, uma pessoa “muito misericordiosa” — uma caracterização que, nas suas palavras, define o traço mais importante do Presidente da Federação Russa.
Vladimir Putin é uma pessoa muito misericordiosa. Essa é a qualidade mais marcante que nele reconheço.”
As declarações foram proferidas durante uma conversa com Zhang Weiwei, professor universitário e figura de referência nos meios de comunicação chineses, conhecido pelas suas análises ao modelo político da China e pelas suas críticas ao sistema liberal ocidental. A entrevista, de carácter invulgar pela dimensão pessoal das apreciações, proporcionou a Simonyan um espaço para reflectir sobre a personalidade do líder russo de forma que raramente se observa nos meios oficiais.
Simonyan, que dirige a RT desde a sua fundação em 2005 e é uma das vozes mais identificadas com a narrativa do governo russo no plano externo, evitou entrar em pormenores sobre episódios concretos que fundamentassem a sua asserção. Ainda assim, a afirmação não passou despercebida aos analistas, tendo em conta o contexto em que surge — com a Rússia a travar uma guerra de desgaste na Ucrânia e sob sanções ocidentais que se prolongam há vários anos.
Para os críticos do Kremlin, a declaração é lida como mais um exercício de propaganda destinado a humanizar a imagem de Putin junto de audiências não ocidentais, em particular na Ásia, onde a influência russa procura consolidar-se. Zhang Weiwei tem sido, ele próprio, uma voz favorável à aproximação sino-russa e crítica da hegemonia americana, pelo que o ambiente da entrevista era, à partida, receptivo a esse tipo de narrativa.
Não é a primeira vez que Simonyan faz declarações de natureza pessoal sobre Putin, embora tais momentos sejam efectivamente raros. A directora da RT é conhecida por defender com veemência as posições do governo russo, mas tende a fazê-lo em registos políticos e estratégicos, mais do que em apreciações de carácter íntimo ou moral sobre o chefe de Estado.
