Site icon Southern Bridges

Demolição do prédio da Maianga pode reabrir projecto da “Baixa Prenda”

A demolição do conhecido Edifício da Maianga, prevista para Setembro deste ano, pode ser mais do que uma intervenção isolada destinada a eliminar uma estrutura degradada. A recente visita de equipas técnicas do Governo Provincial de Luanda, do Ministério da Administração do Território e do Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação poderá ser indicativa de que uma intervenção urbana mais ampla estará a ser preparada no perímetro que liga os bairros do Prenda, Maianga e Coqueiros, abrangendo também as zonas circundantes da Igreja da Sagrada Família, nomeadamente junto à Maternidade Lucrécia Paím.

Esta hipótese ganha força tendo em conta o itinerário seguido pelo grupo técnico. Segundo informações avançadas por alguns órgãos de imprensa, depois da visita a um dos mais emblemáticos prédios de Luanda, o grupo seguiu para a zona dos Coqueiros, onde visitou um espaço baldio junto ao Estádio, e, por último, uma obra abandonada no Largo Lucrécia Paím.

Numa matéria publicada pelo Jornal de Angola, datada de 7 de Agosto de 2008, era dado conta do surgimento de um projecto de renovação urbana dos lotes do Prenda. Na altura, o então director do Instituto de Planificação e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), arquitecto Hélder José, explicava que a intervenção procuraria melhorar uma área marcada pela degradação urbana e pela utilização deficiente de alguns edifícios, recorrendo também a uma parceria com o sector privado.

O mesmo projecto incluía a chamada “Baixa Prenda”, uma área situada entre a Comandante Arguelles e a Estrada da Samba, nas proximidades da Clínica do Prenda. A proposta previa a transformação urbanística da zona, com a construção de habitações e infra-estruturas de apoio à população, enquanto os moradores afectados seriam transferidos para novas habitações que seriam construídas nas proximidades do projecto Nova Vida.

Em Abril de 2009, o jornal O País voltou ao assunto e avançou que o plano de requalificação e ordenamento do Prenda já tinha autorização administrativa e poderia avançar nesse mesmo ano. A primeira fase abrangeria a Avenida Revolução de Outubro, a Comandante Arguelles, a Rua da Samba e a zona da vala de drenagem junto ao antigo dispensário de tuberculose. O projecto previa ainda a construção de novas residências para o realojamento dos moradores afectados.

Segundo O País, a intenção era criar um modelo de requalificação urbana através de uma parceria público-privada, com o Estado a facilitar a disponibilização dos espaços e o parceiro privado a mobilizar os recursos financeiros necessários. Estava igualmente prevista uma intervenção nos chamados Lotes do Prenda, com recuperação das fachadas, melhoria arquitectónica dos edifícios e requalificação das áreas térreas degradadas.

Quase 20 anos depois, a pergunta volta

O projecto anunciado há quase duas décadas não transformou a zona nos moldes então previstos. Hoje, a demolição do “prédio de tijolos” e a intervenção anunciada noutros espaços degradados dos arredores podem, no entanto, criar condições para que aquela antiga estratégia urbana seja recuperada ou, pelo menos, repensada.

Não há confirmação oficial de que o Governo esteja a retomar o projecto da “Baixa Prenda”. Mas também não é claro se a actual intervenção ficará limitada à demolição do prédio da Maianga. A pergunta que fica é, por isso, simples: o que vai nascer nos terrenos depois das demolições e estará o Governo a preparar uma nova operação de requalificação para uma das zonas mais antigas e centrais de Luanda?

Exit mobile version