A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) prepara o seu VI Congresso Ordinário num ambiente de profunda divisão interna, com duas estruturas a reivindicarem legitimidade para conduzir o processo congressual e uma disputa pela liderança que poderá condicionar o futuro político da organização.
A comissão preparatória ligada à direcção de Nimi-A-Simbi prevê realizar o congresso nos dias 23, 24 e 25 de Setembro, em Luanda, com um orçamento estimado em cerca de 150 milhões de kwanzas e a participação de 1.203 delegados, distribuídos pelo círculo nacional e por 21 círculos eleitorais.
A informação foi avançada pelo coordenador da comissão organizadora, João Roberto Soki, durante uma conferência de imprensa realizada na passada terça-feira, dia 14. Segundo o responsável, a comissão já realizou sete sessões de trabalho desde o anúncio do congresso, incluindo cinco plenárias ordinárias, uma extraordinária e uma miniplenária.
O processo, contudo, está longe de ser consensual. Paralelamente à comissão reconhecida pela direcção de Nimi-A-Simbi, existe uma outra estrutura coordenada por Ndonda Nzinga e apoiada por membros do Comité Central próximos do antigo presidente da FNLA, Ngola Kabango.
A ala de Nimi-A-Simbi considera que a comissão paralela não possui validade estatutária, defendendo que compete exclusivamente ao presidente do partido nomear a comissão preparatória do congresso. O grupo ligado a Ngola Kabango rejeita, por sua vez, esta interpretação e sustenta que a sua estrutura também foi constituída ao abrigo dos estatutos da organização.
A existência de duas comissões preparatórias expõe uma disputa que ultrapassa a organização do congresso e coloca em causa a própria capacidade da FNLA para alcançar um entendimento interno sobre a sua liderança. A poucos meses do conclave, o partido permanece, assim, dividido entre diferentes correntes que reivindicam legitimidade para definir o seu futuro.
O conflito interno ocorre num momento particularmente delicado para a FNLA. Fundada como uma das principais forças do movimento de libertação nacional, ao lado do MPLA e da UNITA, a organização desempenhou um papel central no período que antecedeu a independência de Angola. Contudo, os acontecimentos políticos de 1975 e dos anos que se seguiram contribuíram para a redução progressiva da sua influência no panorama político nacional.
Actualmente, a FNLA enfrenta um duplo desafio: resolver a disputa interna pela liderança e promover uma renovação capaz de aproximar o partido de uma sociedade angolana profundamente transformada desde os primeiros anos da independência.
O VI Congresso Ordinário surge, assim, como mais do que uma reunião estatutária. Para a FNLA, poderá representar uma oportunidade de reorganização e renovação ou tornar-se mais um capítulo da longa disputa interna que tem dificultado a recuperação da relevância política de uma das organizações históricas de Angola.
