Um grupo de empresários abastados terá financiado a campanha política destinada a garantir a aprovação da proposta de alteração constitucional que poderá prolongar até 2030 o mandato do Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, segundo a revista britânica Africa Confidential.
Num artigo publicado a 11 de Setembro, a publicação refere que a aprovação da chamada Constitutional Amendment Bill 3 (CAB3) exigiu uma dispendiosa operação política para assegurar apoio suficiente no Parlamento, entre líderes tradicionais e outros sectores influentes da sociedade zimbabueana.
Segundo a Africa Confidential, entre os principais financiadores da campanha estão empresários que construíram as suas fortunas através de acesso privilegiado a recursos do Estado e de contratos públicos. A publicação descreve esta rede de apoio a Mnangagwa como uma peça central da máquina política destinada a sustentar a reforma constitucional promovida pelo actual Presidente zimbabueano.
A CAB3 prevê alterações profundas ao sistema político do Zimbabwe. Entre as medidas está o alargamento dos mandatos do Presidente, do Parlamento e das autoridades locais de cinco para sete anos. A proposta prevê ainda que o Presidente passe a ser escolhido por uma sessão conjunta do Parlamento, em vez de ser eleito directamente pelos cidadãos.
O Parlamento aprovou a proposta em Junho, abrindo caminho à possibilidade de o actual mandato de Mnangagwa, que deveria terminar em 2028, ser prolongado até 2030. A alteração tem suscitado contestação entre sectores da oposição e da sociedade civil, enquanto os apoiantes do Governo defendem a reforma como forma de garantir estabilidade política e assegurar a continuidade das políticas de desenvolvimento.
A revelação da Africa Confidential acrescenta uma dimensão financeira à disputa em torno da reforma constitucional, ao colocar em evidência o papel de empresários com fortes interesses económicos no apoio à alteração do sistema político.
