Os Estados Unidos disponibilizaram doses de um medicamento experimental à base de anticorpos para apoiar a resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), numa iniciativa que poderá acelerar a realização de ensaios clínicos e contribuir para o desenvolvimento de tratamentos contra a doença.
Segundo informações divulgadas por autoridades sanitárias norte-americanas e citadas pela Reuters, o fármaco, desenvolvido pela empresa Mapp Biopharmaceutical, será utilizado tanto em regime de uso compassivo como em estudos clínicos destinados a avaliar a sua eficácia no tratamento da estirpe Bundibugyo do vírus Ébola.
A decisão representa uma mudança na política de Washington, que anteriormente restringia o acesso ao medicamento a cidadãos norte-americanos considerados de elevado risco após exposição ao vírus.
O apoio surge numa altura em que a epidemia provocada pela variante Bundibugyo continua a alastrar. De acordo com dados das autoridades sanitárias, o surto já causou mais de mil casos e mais de 250 mortes na RDC, tendo sido igualmente registadas infecções em países vizinhos, incluindo o Uganda.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que estão em curso preparativos para o arranque dos ensaios clínicos nas zonas afectadas, com o envio de doses experimentais e de outros tratamentos ainda em fase de investigação.
Ao contrário da estirpe Zaire do vírus Ébola, para a qual existem vacinas e terapias aprovadas, a variante Bundibugyo ainda não dispõe de tratamentos ou vacinas autorizados, o que torna mais urgente o desenvolvimento de soluções eficazes. Especialistas admitem, contudo, que eventuais vacinas em fase de desenvolvimento poderão ainda demorar algum tempo até chegarem ao mercado.
As autoridades norte-americanas consideram que os dados recolhidos durante os ensaios clínicos poderão servir de base para futuras avaliações regulamentares e para uma eventual aprovação do medicamento.
Apesar da redução da ajuda externa e da reestruturação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Washington comprometeu-se a mobilizar centenas de milhões de dólares para apoiar a resposta ao surto.
Entre as medidas adoptadas figura ainda a construção de um centro de quarentena no Quénia destinado a cidadãos norte-americanos, numa tentativa de reforçar os mecanismos de prevenção e evitar a propagação do vírus para os Estados Unidos.
Especialistas em saúde pública alertam que, sem uma resposta internacional robusta e coordenada, o actual surto poderá transformar-se numa das crises mais graves de Ébola das últimas décadas.
Fonte: Reuters/Angop
