Os Estados Unidos estão a alargar o seu envolvimento no Corredor do Lobito para além da ferrovia e do transporte de minerais, com um novo financiamento destinado a estudar a expansão da capacidade hidroeléctrica e das redes de distribuição de electricidade na República Democrática do Congo (RDC) e na Zâmbia.
A Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA) concedeu uma subvenção de 3 milhões de dólares à Anzana Electric Group para financiar um estudo de viabilidade que deverá avaliar a reabilitação de infra-estruturas hidroeléctricas existentes, o desenvolvimento de nova capacidade de produção e a expansão das redes de distribuição de electricidade nas regiões abrangidas pelo Corredor do Lobito.
O estudo incidirá particularmente sobre a província de Lualaba, na RDC, e a região Noroeste da Zâmbia, áreas com forte concentração de operações de cobre e cobalto. A USTDA estima que a melhoria das infra-estruturas eléctricas poderá beneficiar mais de três milhões de pessoas, além de reforçar o fornecimento de energia às actividades mineiras e industriais.
A nova iniciativa representa uma mudança no enfoque do envolvimento norte-americano no Corredor do Lobito. Depois de apoiar a recuperação e expansão da ligação ferroviária entre Angola e a fronteira com a RDC, Washington está agora a olhar para uma das principais limitações ao crescimento da actividade mineira na região: o acesso a electricidade fiável e suficiente.
A USTDA considera que a disponibilidade de energia é fundamental para aumentar a produção mineira, reduzir a utilização de geradores a diesel e criar condições para maior transformação local dos minerais. O estudo deverá também identificar fornecedores norte-americanos e preparar os projectos para futuras fases de financiamento.
O projecto surge numa altura em que os Estados Unidos e outros parceiros internacionais procuram reforçar as cadeias de fornecimento de minerais críticos, nomeadamente cobre e cobalto, reduzindo a dependência de cadeias dominadas pela China.
O Corredor do Lobito liga o Porto do Lobito, em Angola, às regiões mineiras da RDC e, através dos projectos de expansão, à Zâmbia. A ferrovia constitui actualmente a espinha dorsal do corredor, mas os novos investimentos apontam para uma abordagem mais ampla, envolvendo transporte, energia, mineração e desenvolvimento industrial.
Em Julho, foi concluído um pacote de financiamento de 753 milhões de dólares para a recuperação e operação da ferrovia do Corredor do Lobito. O financiamento inclui 553 milhões de dólares da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e 200 milhões de dólares do Development Bank of Southern Africa.
A Africa Finance Corporation está envolvida na estruturação do financiamento, enquanto a Lobito Atlantic Railway, concessionária da linha, prepara o aumento da capacidade de transporte de carga internacional.
A nova componente energética poderá, assim, transformar o corredor numa infra-estrutura regional mais integrada, permitindo não apenas retirar cobre e cobalto das zonas mineiras para o Atlântico, mas também criar condições para processamento, industrialização e criação de valor junto às zonas de produção.
Angola no centro da estratégia
Embora o financiamento energético agora anunciado não seja destinado directamente a Angola, o país permanece no centro da arquitectura do corredor através do Porto do Lobito, ponto de saída para o Atlântico dos minerais provenientes do interior da África Central.
Para Angola, o desenvolvimento de infra-estruturas energéticas, ferroviárias e mineiras nos países vizinhos poderá aumentar a importância económica do Lobito e criar novas oportunidades para serviços logísticos, transporte, armazenagem e actividades associadas à cadeia de fornecimento de minerais críticos.
A iniciativa norte-americana reforça, assim, a dimensão geoeconómica do Corredor do Lobito, que está progressivamente a deixar de ser apenas um projecto ferroviário para assumir o papel de plataforma de energia, mineração, logística e integração regional.
