A África do Sul volta a viver um clima de tensão com o anúncio de novos protestos contra a imigração, num contexto marcado por elevados níveis de desemprego, desigualdade social e crescente descontentamento com os serviços públicos.
Durante o regime do apartheid, o país recorreu à mão-de-obra migrante proveniente de vários países africanos para manter baixos os salários nas minas de ouro e enfraquecer os sindicatos. Esse período de segregação racial continua a deixar marcas profundas na memória colectiva sul-africana.
Actualmente, cerca de um terço da população activa encontra-se desempregada, uma das taxas mais elevadas do mundo. A degradação dos serviços públicos e o aumento da insatisfação popular têm também sido associados ao enfraquecimento político do Congresso Nacional Africano (ANC), que perdeu a maioria parlamentar nas eleições de 2024.
Apesar dos progressos alcançados desde o fim do apartheid, a África do Sul continua entre os países com os níveis de desigualdade social mais elevados do mundo.
Neste contexto, o debate em torno da imigração tem ganho intensidade e surge frequentemente associado a episódios de xenofobia e discriminação contra cidadãos estrangeiros, alimentando um ambiente de crescente tensão social.
Fonte: RTP.
