Ontem estive na Faculdade de Artes da Universidade de Luanda e pude viver todas as emoções que um exame de actuação bem conseguido pode oferecer ao espectador.
Marcado para às 18h, “O Sujeito e a Azarada”, um musical escrito e encenado pelo professor Tony Frampenio, contando com a assistência e preparação dos estudantes de actuação do professor Máquina, com a iluminação técnica de Chance El Chandai e a sonoplastia do estudante de música Billy, fez-nos esperar por quase duas horas. Ainda assim, fez-nos esquecer o tempo de espera ao presentear-nos com um espectáculo cheio de beleza e técnica, provando que ambos não são conceitos antagónicos. Com mais de uma hora de duração, o espectáculo passou sem que déssemos pelo tempo, nem mesmo pelo frio que nos abraçava no quintal da Faculdade.
A energia de 19 jovens, lutando pelo sonho de se tornarem profissionais de teatro, terminando o terceiro ano da licenciatura, brotava dos seus corpos, envolvendo-nos em danças, da contemporânea ao kuduro, e em músicas populares que nos faziam acompanhar as letras entre intervalos de gargalhadas provocadas pelo texto divertido, mas com um enredo construído com intensidade, colocando na ribalta um problema tão corriqueiro quanto a violência baseada no género, sofrida por inúmeras mulheres.

O espectáculo, com um fim trágico, levou o público à catarse com a morte do antagonista, que não deixava dúvidas sobre o que era. Entre diversas viagens na linha do tempo da vida de Maria, conhecemos a sua história e o seu azar por buscar a felicidade nos braços errados, justamente daquele que lhe entregou a corda para o seu fim — a corda que, “mesmo cortada”, teve o nó que a sufocou.
Parabéns aos estudantes pela entrega e aos professores pelo empenho para alcançar este resultado final.
Agradeço a todas e todos que estiveram envolvidos para que este momento fosse possível. Para mim, foi inspirador e representa sempre um beliscar na esperança de progresso para o teatro em Angola.
Obrigada.
Luz Feliz