A inflação no Botsuana manteve-se em 10,7% em Junho de 2026, permanecendo muito acima do intervalo de estabilidade de preços definido pelo Banco do Botsuana, entre 3% e 6%.
Dados do banco central mostram que a inflação subiu de 4,2% em Março para 10,3% em Abril, antes de atingir 10,7% em Maio e Junho. O nível registado em Junho é, assim, quase o dobro do limite superior da meta de médio prazo da autoridade monetária.
Perante a persistência das pressões inflacionistas, o Banco do Botsuana manteve a taxa de juro de referência em 5,5%, depois de ter aumentado a taxa em 200 pontos-base, de 3,5% para 5,5%, em Abril. A decisão teve como objectivo reforçar a transmissão da política monetária e conter os riscos associados à subida dos preços.
Na sua avaliação de Junho, o Comité de Política Monetária indicou que a inflação deverá permanecer acima do limite superior do intervalo de 3% a 6% no curto prazo, devido sobretudo a factores do lado da oferta. O banco central tem também acompanhado os efeitos das alterações nos preços administrados e das pressões sobre os produtos transaccionáveis.
Os dados do Banco do Botsuana indicam ainda que a inflação subjacente, medida pelo índice de média aparada de 16%, se situou em 9% em Junho, enquanto a inflação excluindo preços administrados ficou em 5,9%. Em Maio, estes indicadores tinham sido de 9,1% e 5,9%, respectivamente.
A subida dos preços tem sido igualmente influenciada pelos produtos transaccionáveis. Em Maio, a inflação dos bens importados atingiu 18,1%, enquanto a dos bens transaccionáveis produzidos internamente chegou a 7,6%, segundo os dados mais recentes detalhados pelo banco central.
Apesar da inflação elevada, o Banco do Botsuana tem mantido a taxa directora em 5,5% nas operações de mercado monetário realizadas em Junho e Julho. A próxima reunião do Comité de Política Monetária está prevista para 27 de Agosto de 2026.
A evolução da inflação representa um desafio para a economia do Botsuana, uma vez que a subida dos preços reduz o poder de compra das famílias e aumenta os custos para empresas e consumidores. A evolução dos preços, das condições financeiras e da actividade económica deverá continuar a determinar as próximas decisões da política monetária do país.
