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Linguista critica permanência de nomes coloniais na toponímia angolana

Janine Silveira defende a ideia de que respeitar a toponímia oficial é, reconhecer as autoridades angolanas e valorizar a identidade histórica do país

A manutenção de referências ligadas ao período colonial na designação de ruas e bairros em Angola continua a levantar questões sobre memória histórica, identidade nacional e respeito pela toponímia oficial. A posição é defendida pela linguista e investigadora Janine da Silveira, que considera inadequado que espaços públicos continuem a ser identificados por nomes associados ao passado colonial, mesmo depois de oficialmente renomeados pelo Estado angolano.

Durante uma intervenção no Podcast Co-Educação, a docente chamou particular atenção para situações em que instituições e empresas continuam a utilizar antigas designações coloniais em documentos, moradas e comunicações, apesar da existência de uma denominação oficial.

Entre os exemplos apresentados está uma avenida que recebeu oficialmente o nome de Amílcar Cabral, mas que ainda surge, em alguns casos, como “Serpa Pinto”. A antiga designação remete para Alexandre de Serpa Pinto, figura ligada à expansão colonial portuguesa em África.

Para Janine da Silveira, a utilização continuada de nomes anteriores à independência não deve ser encarada apenas como uma questão de hábito ou linguagem corrente. A linguista entende que a escolha dos nomes dos espaços públicos também traduz a forma como uma sociedade constrói e transmite a sua memória colectiva.

A investigadora considera, por isso, que adoptar as designações oficiais vai além de uma simples actualização administrativa. Trata-se, na sua perspectiva, de reconhecer as decisões das autoridades angolanas e de reforçar referências associadas à história e à identidade do país.

A discussão sobre a toponímia ganha particular relevância num contexto em que Angola procura consolidar uma memória histórica própria, num espaço público onde ainda coexistem nomes herdados do período colonial e designações atribuídas depois da independência.

A questão colocada pela linguista é, assim, também sobre que nomes Angola escolhe para permanecerem visíveis nas suas cidades — e sobre que memória pretende transmitir às gerações futuras.

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