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Mondlane acusa Governo de falhar na prevenção das cheias e exige resgate e assistência humanitária como prioridade

O político moçambicano Venâncio Mondlane defendeu na terça-feira que o resgate de pessoas em risco e a assistência humanitária aos afectados pelas cheias devem ser a prioridade máxima das autoridades, acusando o Governo de falhar na prevenção do desastre, apesar de previsões climáticas conhecidas desde Agosto. As cheias já provocaram pelo menos 112 mortos no país.

“Esta que é a prioridade número um, o resgate. Então, estas duas questões, a assistência humanitária e o resgate, salvamento de vidas, estas duas componentes, neste momento, são as mais prioritárias”, afirmou Mondlane em declarações à Lusa.

O político falava à margem de uma visita a um troço da Estrada Nacional Número Um (N1), encerrado ao trânsito na vila da Manhiça, no sul de Moçambique, devido às inundações. Segundo Mondlane, as respostas do Estado devem variar conforme o contexto no terreno, sublinhando que, em zonas urbanas como as cidades de Maputo e da Matola, a necessidade imediata passa sobretudo pela assistência humanitária às populações afetadas.

Mondlane considerou que “falhou muita coisa” na atuação governamental, apontando como principal problema a inexistência de um plano de contingência eficaz para minimizar mortes e destruição de bens durante a época chuvosa. O político lembrou que a informação oficial sobre a previsão climática estava disponível desde agosto de 2025.

Nesse sentido, recordou que, durante o 12.º Fórum Nacional sobre a Previsão Climática, o Instituto Nacional de Meteorologia e a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alertaram para a saturação dos solos no último trimestre de 2025 e para a ocorrência de cheias “muito acima do normal” entre janeiro e março de 2026.

“Esta informação existe, produzida e comunicada. O que falhou foi a sua utilização para preparar um plano de contingência adequado”, sublinhou.

O político criticou ainda a falta de coordenação diplomática com países a montante das bacias hidrográficas, em particular a África do Sul. Segundo Mondlane, as barragens sul-africanas já se encontravam próximas do limite máximo desde agosto e setembro, uma situação que, afirmou, era do conhecimento público e deveria ter sido considerada na preparação das medidas preventivas.

Fonte: Lusa

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