A Namíbia está a intensificar os investimentos em infra-estruturas e a reforçar o quadro regulatório para sustentar o desenvolvimento dos seus projectos petrolíferos offshore, numa altura em que a Bacia de Orange se consolida como uma das províncias de águas profundas mais promissoras do mundo.
Com a primeira produção de petróleo prevista para antes de 2030, o país está a passar da fase de exploração para uma etapa de desenvolvimento industrial em grande escala, apostando na expansão portuária, no fortalecimento da capacidade logística e no desenvolvimento de competências locais.
O dinamismo do sector tem sido impulsionado pelas descobertas realizadas Projecto Venus lidera corrida ao primeiro petróleo
Entre os principais activos, destaca-se o projecto Venus, operado pela TotalEnergies, cuja decisão final de investimento está prevista para 2026. A produção deverá arrancar em 2029, através de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO), com capacidade estimada em 150 mil barris por dia.
Entretanto, a Galp continua a avançar com a avaliação da descoberta Mopane, que poderá conter até 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo, enquanto a Shell prossegue os trabalhos de delimitação dos campos Graff e Jonker.
O interesse internacional pelo potencial petrolífero namibiano continua igualmente a crescer. Em Abril deste ano, a BP entrou no mercado do país através da aquisição de uma participação operacional de 60% em blocos offshore na Bacia de Walvis.
Portos de Walvis Bay e Lüderitz no centro da estratégia
A preparação das infra-estruturas logísticas esteve no centro dos debates da Conferência Internacional de Energia da Namíbia (NIEC), realizada esta semana em Windhoek.
Segundo Richard Mutonga Ibwina, director de Operações Portuárias da Namport, os portos de Walvis Bay e Lüderitz desempenharão um papel decisivo na cadeia logística da indústria petrolífera.Em Lüderitz, está em curso um projecto de expansão avaliado em quatro mil milhões de dólares namibianos, que contempla a extensão de 500 metros do cais e a recuperação de 14 hectares de terreno. Parte da nova capacidade deverá entrar em funcionamento em 2027.
Paralelamente, Walvis Bay continua a beneficiar de investimentos privados destinados a aumentar a capacidade operacional.
Sector privado reforça investimentos
A expansão das infra-estruturas está a ser acompanhada por uma crescente cooperação entre os sectores públicos e privado. A África Global Logistics anunciou investimentos próximos dos 800 milhões de dólares namibianos para aumentar a capacidade dos terminais e desenvolver centros de formação nas áreas da logística e dos serviços marítimos.
A Namíbia procura igualmente posicionar-se como um centro regional para serviços associados às unidades FPSO, embora especialistas alertem para os desafios relacionados com o financiamento antecipado das infra-estruturas antes da geração de receitas provenientes da produção petrolífera.
Empresas locais, como a Manica Group Namíbia, estão já a assegurar contratos nas áreas de logística, desalfandegamento e apoio às operações offshore, procurando captar valor desde as fases iniciais dos projectos.
Conteúdo local e reformas regulatórias ganham prioridade
No plano institucional, o Governo namibiano continua a avançar com reformas destinadas a fortalecer a confiança dos investidores. A Política Nacional de Conteúdo Local para o sector petrolífero estabelece uma meta de participação local de 15% até 2030.
Instituições como o Petrofund e o Conselho de Promoção e Desenvolvimento do Investimento da Namíbia estão a desenvolver programas de capacitação e integração de fornecedores nacionais na cadeia de valor do sector.
Ao mesmo tempo, o Executivo trabalha na revisão da legislação petrolífera e estuda a construção de uma nova refinaria nas proximidades de Walvis Bay, numa estratégia que visa expandir a capacidade de processamento interno e criar maior valor acrescentado.
Com grandes descobertas em curso e uma forte mobilização de capitais, a Namíbia procura assegurar que o crescimento do sector petrolífero seja acompanhado por infra-estruturas adequadas e pelo desenvolvimento da indústria local, consolidando-se como um novo pólo energético da África Austral. Pela TotalEnergies, Shell e Galp, que revelaram reservas de vários milhares de milhões de barris.
A Câmara Africana da Energia (AEC) considera que a execução atempada dos projectos e o reforço das infra-estruturas serão determinantes para garantir a confiança dos investidores e cumprir os prazos previstos para a entrada em produção.
“Os projectos, as infra-estruturas de suporte e um quadro institucional robusto serão fundamentais para assegurar a produção do primeiro petróleo dentro do calendário previsto”, afirmou NJ Ayuk, presidente executivo da AEC.
Fonte: Câmara Africana da Energia (AEC)
