Cerca de 18 mil jovens candidataram-se à 17.ª admissão do National Youth Service (NYS) em 2026, um programa do Governo namibiano vocacionado para a formação e desenvolvimento de competências dos jovens, aumentando a pressão sobre a capacidade de acolhimento, as infra-estruturas e o financiamento da instituição.
De acordo com a ministra da Educação, Inovação, Juventude, Desporto, Artes e Cultura, Sanet Steenkamp, o governo da Namíbia está a estudar a possibilidade de tornar obrigatório o NYS, sobretudo para os jovens que terminam o ensino secundário, numa altura em que o país procura novas respostas para o número elevado de desemprego entre a população jovem. A proposta ainda está numa fase inicial e deverá passar por consultas públicas, processos políticos e alterações legislativas antes de qualquer decisão.
Sanet Steenkamp fez estas declarações durante a tomada de posse do novo conselho de administração do National Youth Service (NYS) – Serviço Nacional para Jovens, em Windhoek. A governante defendeu na ocasião uma análise cuidadosa das implicações de um eventual sistema obrigatório, tendo em conta a dimensão que o programa poderia atingir.
A discussão surge numa altura em que cresce vertiginosamente a procura pelos programas do NYS. O serviço nacional é voluntário e destina-se, entre outros objectivos, a proporcionar formação, disciplina, competências profissionais e oportunidades de inserção no mercado de trabalho. O programa inclui formação nacional, educação técnico-profissional e projectos de desenvolvimento.
O desemprego juvenil continua a ser um dos principais desafios socioeconómicos da Namíbia. Dados apresentados pelo Governo indicam uma taxa de desemprego juvenil de 44,4% em 2023, enquanto a proporção de jovens que não estão empregados, a estudar ou em formação (NEET) rondava os 42%. O Executivo estabeleceu como meta aumentar o emprego juvenil para 70% e reduzir a taxa de jovens NEET para 25% até 2030.
A proposta de tornar o serviço nacional obrigatório surge, assim, como parte de um debate mais amplo sobre a forma de facilitar a transição dos jovens da escola para a formação profissional e o emprego. No entanto, a própria ministra reconhece que uma eventual mudança exigiria recursos financeiros, capacidade institucional e uma análise das consequências para os jovens e para o Estado.
A discussão também levanta questões sobre quem deverá se beneficiar dos programas do NYS. Em Agosto, o deputado do SWAPO Willem Amutenya defendeu o alargamento do limite de idade dos 30 para os 35 anos e a revisão dos critérios de admissão, argumentando que alguns dos jovens mais vulneráveis podem estar a ser excluídos do programa.
Para a Namíbia, o desafio passa, portanto, não apenas por formar mais jovens, mas por garantir que a formação se traduza em emprego, actividade económica e oportunidades de rendimento num mercado de trabalho com capacidade limitada de absorção.
