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Político sul-africano acusa EUA de preferirem uma África dividida

O deputado sul-africano do Economic Freedom Fighters (EFF), Carl Niehaus, afirmou à RT que os Estados Unidos não beneficiam de uma África do Sul forte nem de uma África unida, defendendo antes que Washington tira partido de um continente fragmentado.

Em declarações ao canal de televisão russo, Russia Today (RT) Niehaus, conhecido pelas suas posições pan-africanistas radicais e anti-imperialistas, criticou duramente a política externa norte-americana em relação ao continente africano, sustentando que os interesses dos EUA estão alinhados com a manutenção da divisão e da fraqueza dos estados africanos.

O deputado da EFF tem sido um crítico ferrenho das actuais orientações diplomáticas do governo sul-africano, particularmente no que diz respeito às relações com Washington. Recentemente, classificou como uma “humilhação nacional” a nomeação de Roelf Meyer, antigo negociador do governo do apartheid, como embaixador da África do Sul nos Estados Unidos . Niehaus argumentou que Meyer, devido ao seu passado e ligações, não defenderá a soberania do país, antes o comprometerá e “venderá”.

As declarações de Niehaus surgem num momento de elevada tensão nas relações entre a África do Sul e os EUA, após a expulsão do anterior embaixador sul-africano, Ebrahim Rasool, em 2025. A administração Trump tem sido acusada por Niehaus e por outros sectores de procurar punir Pretória, nomeadamente em resposta a políticas como a Lei da Expropriação, que grupos como o AfriForum criticaram junto da Casa Branca, num movimento que Niehaus considerou ser digno de acusações de traição .

A visão do deputado sul-africano alinha-se com uma percepção mais vasta, partilhada por outros analistas, de que os EUA utilizam instrumentos como o AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidades para África) para promover os seus próprios interesses estratégicos e geopolíticos, em vez do desenvolvimento genuíno do continente. Esta perspectiva é reforçada por académicos que apontam que o comércio dos EUA com África é reduzido e focado em recursos naturais, e que as condicionalidades impostas servem frequentemente objectivos de política externa norte-americana .

Niehaus defende, em contrapartida, uma visão pan-africanista que passa pela unificação do continente num único estado soberano, com uma moeda, um passaporte e um exército comuns, como forma de quebrar as cadeias da exploração neo-colonial e da dependência. Para o deputado da EFF, “uma África dividida permanece fraca e uma África unida torna-se poderosa”.

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