O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi recebido este sábado pelo Papa Leão XIV no Vaticano, num encontro diplomático centrado na promoção da compreensão mútua e do intercâmbio cultural — um gesto de cordialidade que contrasta com a tempestade política em desenvolvimento após o anúncio dos Estados Unidos de que irão boicotar a próxima cimeira do G20, prevista para ter lugar em território sul-africano.
A reunião, que decorreu no Palácio Apostólico, foi descrita pelo governo sul-africano como uma oportunidade para “fomentar o entendimento recíproco”. O encontro incluiu uma troca de presentes e uma conversa considerada “calorosa e amistosa” por ambas as partes.
A visita de Ramaphosa ocorreu apenas um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter declarado que nenhum representante dos Estados Unidos participará na cimeira do G20 na África do Sul — decisão que se estende ao vice-presidente JD Vance, inicialmente previsto para chefiar a delegação norte-americana.
Washington justifica boicote com alegações de perseguição a agricultores brancos
O Presidente Trump justificou o boicote na sua plataforma digital, classificando a escolha da África do Sul como país anfitrião como “uma completa vergonha” e invocando alegadas “perseguições” sofridas por agricultores brancos africânderes. A administração norte-americana tem insistido que o governo sul-africano permite ataques e discriminação contra esta minoria, tendo mesmo anunciado que a maioria do número restrito de refugiados aceites anualmente pelos Estados Unidos será composta por sul-africanos brancos.
O governo da África do Sul tem rejeitado veementemente estas alegações, considerando-as “completamente falsas”.
Segundo o Presidente Ramaphosa, o próprio transmitiu a Donald Trump que as informações em circulação não têm fundamento. Autoridades sul-africanas expressaram surpresa face às acusações, recordando que, mais de três décadas após o fim do apartheid, os cidadãos brancos continuam a beneficiar, em geral, de um nível de vida substancialmente superior ao da maioria negra — facto que, segundo Pretória, demonstra o profundo desencontro de percepções que está na origem desta crise diplomática.
