O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, propôs à Coreia do Norte o início de negociações destinadas a pôr formalmente fim à Guerra da Coreia, mais de sete décadas depois de o conflito ter terminado com um armistício, e não com um tratado de paz.
A proposta foi apresentada por Lee a 15 de Agosto, durante o discurso que assinalou o 81.º aniversário da libertação da Península Coreana do domínio colonial japonês. O Presidente sul-coreano apelou às duas Coreias para abandonarem as ameaças mútuas e iniciarem discussões destinadas a substituir o actual regime de armistício por um sistema de paz permanente.
Lee defendeu que as negociações poderiam também abordar formas concretas de travar o desenvolvimento das capacidades nucleares da Coreia do Norte. A proposta representa uma tentativa de reabrir o diálogo numa altura em que as relações entre Seul e Pyongyang permanecem particularmente tensas.
A Guerra da Coreia decorreu entre 1950 e 1953 e terminou com a assinatura de um acordo de armistício que suspendeu os combates. Como não foi celebrado um tratado de paz, as duas Coreias permanecem tecnicamente em estado de guerra.
A iniciativa de Lee surge depois de várias tentativas da sua administração para restabelecer canais de comunicação com Pyongyang. Desde que assumiu a Presidência, Lee tem defendido uma política de coexistência pacífica, comprometendo-se a respeitar o sistema político norte-coreano e a não procurar uma reunificação através da absorção do Norte pelo Sul.
Pyongyang, contudo, tem rejeitado as anteriores propostas de diálogo de Seul e adoptado uma posição cada vez mais hostil em relação ao Governo sul-coreano. O líder norte-coreano, Kim Jong Un, abandonou a política de reunificação e passou a descrever a Coreia do Sul como um Estado hostil, ao mesmo tempo que reforçou as defesas militares junto da fronteira.
A margem para uma aproximação é ainda dificultada pelo reforço das relações entre a Coreia do Norte e a Rússia. Pyongyang aprofundou a cooperação militar com Moscovo e tem apoiado a Rússia no conflito na Ucrânia, enquanto continua a desenvolver as suas capacidades militares e nucleares. Kim Jong Un voltou a reafirmar, em Agosto, a importância da relação com o Presidente russo, Vladimir Putin.
A proposta sul-coreana surge também num momento de renovada actividade diplomática em torno da Península. A redução dos exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, anunciada por Washington esta semana, foi interpretada por Seul como uma possível oportunidade para recuperar o diálogo com Pyongyang, embora a liderança norte-coreana tenha rejeitado a ideia de que a redução dos exercícios altere a sua natureza provocatória.
Para Lee, o objectivo passa por transformar o actual regime de cessar-fogo num quadro de paz capaz de reduzir o risco de novos confrontos. A Presidência sul-coreana pretende ainda mobilizar o apoio de outros países para iniciar discussões sobre o fim formal da guerra e sobre formas de travar o avanço do programa nuclear norte-coreano.
Até ao momento, porém, Pyongyang não demonstrou disposição para aceitar a proposta de Seul, deixando em aberto se a iniciativa de Lee poderá abrir uma nova frente diplomática ou se será mais uma tentativa de diálogo rejeitada pela liderança norte-coreana.
