A África do Sul está a intensificar a sua diplomacia económica com a Europa, numa ofensiva destinada a aumentar as exportações, atrair investimento estrangeiro e aprofundar a cooperação industrial com alguns dos principais parceiros económicos do país.
O Vice-Ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, John Steenhuisen, iniciou, a 31 de Agosto, uma deslocação de dez dias à Chéquia, Polónia e Alemanha, onde mantém encontros com autoridades governamentais, empresas e investidores, numa iniciativa que o Governo sul-africano apresenta como parte da estratégia de reforço das relações económicas bilaterais.

Uma vsta parcial da capital administrativa da Áfrca do Sul, Pretória
Na Chéquia, Steenhuisen preside à sexta sessão do Comité Conjunto de Cooperação Económica entre os dois países e reúne-se com empresas para identificar oportunidades de diversificação das exportações sul-africanas e atracção de investimento para sectores produtivos.
Pretória pretende, em particular, captar capital checo para áreas como energias renováveis, defesa, transformação de minerais críticos, indústria química, manufactura avançada, transporte ferroviário e veículos eléctricos. A Chéquia foi, em 2025, o nono maior parceiro comercial da África do Sul dentro da União Europeia, com trocas comerciais avaliadas em cerca de 1,1 mil milhões de dólares.
A passagem pela Polónia deverá igualmente reforçar a cooperação económica entre os dois países. Steenhuisen co-preside à primeira reunião da Comissão Conjunta de Cooperação Económica África do Sul-Polónia, estando previstas reuniões com empresas e visitas industriais.
Vice-Ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, John Steenhuisen
O comércio bilateral entre os dois países aumentou 7%, de 1,5 mil milhões de dólares em 2024 para 1,6 mil milhões em 2025, segundo dados apresentados pelo Departamento sul-africano do Comércio, Indústria e Concorrência. Pretória pretende agora aumentar e diversificar as exportações para o mercado polaco e atrair investimento para áreas como energias renováveis, indústria automóvel e manufactura avançada.
A agenda inclui ainda sectores ligados à transformação de minerais, produção verde, robótica, automação industrial, engenharia de precisão e investigação e desenvolvimento, numa tentativa de aproximar as duas economias das novas cadeias globais de valor.
A Alemanha constitui, contudo, o principal mercado europeu na estratégia sul-africana. O país é o maior parceiro comercial da África do Sul dentro da União Europeia e o terceiro maior parceiro comercial global, depois da China e dos Estados Unidos.
As trocas comerciais entre Pretória e Berlim aumentaram cerca de 14%, passando de 14,3 mil milhões de dólares em 2024 para 16,5 mil milhões de dólares em 2025.
Em Munique, a delegação sul-africana reúne-se com responsáveis do Governo da Baviera e com investidores como BMW e Siemens, enquanto em Frankfurt está prevista uma reunião com a Câmara de Comércio local e contactos com empresas presentes na feira Automechanika, onde empresas sul-africanas apresentam os seus produtos.
A ofensiva económica sul-africana enquadra-se também nas negociações e mecanismos de cooperação entre a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e a União Europeia, incluindo o Acordo de Parceria Económica SADC-UE e a Parceria para o Comércio Limpo e o Investimento.
Para Pretória, o objectivo passa por utilizar as relações comerciais com a Europa não apenas para aumentar as exportações, mas também para atrair tecnologia, capital e capacidade industrial, sobretudo para sectores considerados estratégicos para a transformação económica do país.