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Principais meios de comunicação do Uganda encerrados por ordem do chefe do Exército

O principal grupo de comunicação social independente do Uganda afirma estar sob “cerco militar” depois de o chefe do Exército, o general Muhoozi Kainerugaba, filho do Presidente Yoweri Museveni, ordenar o encerramento de estações de televisão, jornais e rádios.

O jornal Daily Monitor informou, durante o fim-de-semana, que soldados armados estavam posicionados em frente à sua sede, na capital, Kampala, e que tanto a NTV como a Spark TV foram retiradas do ar. Os órgãos de comunicação pertencem ao Nation Media Group, uma das empresas de comunicação social mais influentes da África Oriental.

As razões que levaram ao encerramento das instalações ainda não são claras. No entanto, em mensagens publicadas no Twitter, o general Muhoozi Kainerugaba escreveu: “Eu não acredito numa imprensa livre. A imprensa deve ser guiada por quadros da revolução.”

Grupos da oposição e organizações de defesa dos direitos humanos acusam Kainerugaba de ser uma figura central num regime altamente repressivo liderado pelo seu pai. Já os apoiantes do Presidente e da sua família afirmam que eles garantiram estabilidade ao Uganda e que a economia do país melhorou sob o seu governo.

O Presidente Museveni, de 81 anos, é um antigo líder rebelde que chegou ao poder há cerca de 40 anos. Em Janeiro deste ano, conquistou um sétimo mandato em eleições contestadas, alimentando especulações de que está a preparar o seu filho para lhe suceder.

Kainerugaba escreveu no Twitter que o seu “grande pai” lhe deu o “poder de fechar qualquer empresa de comunicação social que eu quisesse”. Acrescentou ainda que tanto a NTV como o Daily Monitor “não reabrirão sem a minha permissão”. “A partir de agora, todos os meios de comunicação social no Uganda seguirão as regras!”, acrescentou o general.

O Daily Monitor afirmou que o jornal e os seus parceiros foram obrigados a encerrar as actividades “numa acção repressiva durante as primeiras horas de domingo”.

O jornal não avançou as razões para a decisão do general, mas noticiou o caso no seu website. A equipa de reportagem escreveu que “ninguém podia entrar ou sair do complexo”, enquanto os telespectadores da NTV Uganda e da Spark TV “foram recebidos com ecrãs em branco exibindo a mensagem ‘vídeo indisponível’.

O artigo recorda que o Daily Monitor também foi alvo de uma operação policial em 2013, devido à publicação de uma carta que alegadamente ligava altos responsáveis do Governo a um plano de sucessão conhecido como “Projecto Muhoozi”. Já a NTV foi obrigada a sair do ar em 2007, após acusações do Governo de que a sua cobertura jornalística era negativa.

“Ao longo dos anos, Museveni também criticou repetidamente o Daily Monitor, chegando a referir-se a ele como um ‘jornal inimigo e maligno’, devido ao seu jornalismo crítico”, refere o artigo.

A Associação Nacional de Radiodifusores do Uganda anunciou que vai solicitar esclarecimentos ao Governo sobre a paralisação, alegando que a medida viola a Constituição.

O candidato presidencial da oposição derrotado, Bobi Wine, actualmente no exílio, afirmou que Kainerugaba “moveu-se para silenciar as restantes vozes independentes do Uganda”. “Esta é a dura realidade que enfrentamos agora: um país sob um regime militar declarado, onde o medo substitui a lei e a força substitui a responsabilidade”, escreveu na rede social Twitter.

Durante as eleições disputadas em janeiro, Kainerugaba causou indignação quando, em publicações posteriormente apagadas, ameaçou remover os testículos de Bobi Wine.

Antes da votação, vários comícios da oposição foram interrompidos, com as forças de segurança, por vezes, a abrirem fogo.

As Nações Unidas afirmam que as eleições decorreram num “ambiente marcado por repressão e intimidação generalizadas contra a oposição política”.

As autoridades eleitorais, por sua vez, sustentam que a votação foi livre e justa.

Fonte: www.namibian.com.na

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