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Programa Alimentar Mundial alerta que efeitos do El Niño pode agravar a fome na África Austral

A África Austral está entre as regiões que poderão sofrer os impactos mais graves de um fenómeno El Niño de intensidade excepcional, com o Programa Alimentar Mundial (PMA) a alertar para o risco de agravamento da insegurança alimentar em vários países da região.

Segundo a agência das Nações Unidas, o actual episódio de El Niño poderá colocar mais 49 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda até ao final de 2027, elevando para 274 milhões o número global de pessoas afectadas pela fome, caso as previsões se confirmem.

O PMA indica que existe uma probabilidade de 81% de o fenómeno atingir uma intensidade excepcional, com as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico a alcançarem níveis não registados há várias décadas. Os cientistas alertam que o El Niño poderá provocar períodos prolongados de seca, cheias e alterações nos padrões de precipitação, afectando directamente a produção agrícola e a disponibilidade de alimentos.

Na África Austral, onde milhões de pessoas dependem da agricultura de subsistência, os efeitos do fenómeno poderão ser particularmente severos. A redução das chuvas, a escassez de água e a quebra das colheitas poderão agravar a situação alimentar em países que já enfrentam vulnerabilidades económicas e sociais.

O PMA considera que a região, à semelhança da América Central, está entre as mais expostas aos efeitos das alterações climáticas associadas ao El Niño. A organização alerta que os impactos meteorológicos poderão aumentar as necessidades de assistência humanitária e pressionar ainda mais os sistemas locais de resposta às crises.

A agência das Nações Unidas manifestou igualmente preocupação com a combinação entre fenómenos climáticos extremos, conflitos internacionais e a redução do financiamento humanitário, factores que têm limitado a capacidade de monitorização da segurança alimentar e de resposta antecipada às emergências.

Perante este cenário, o PMA anunciou o reforço dos seus programas de assistência precoce em 18 países e apelou aos governos e parceiros humanitários para adoptarem medidas urgentes destinadas a reduzir os efeitos do El Niño e evitar uma deterioração da situação alimentar nas comunidades mais vulneráveis da África Austral.

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