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SADC aposta na cooperação para enfrentar conflitos e novas ameaças

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aprovou um conjunto de medidas destinadas a reforçar a paz e a segurança, promover a governação democrática e combater a corrupção e o crime organizado na região.

As decisões foram tomadas durante a 28.ª sessão do Comité Ministerial do Órgão de Cooperação nas áreas da Política, Defesa e Segurança, realizada em Salima, no Malawi, entre 16 e 17 de Julho de 2026.

Os ministros manifestaram preocupação com a deterioração da situação de segurança e humanitária no leste da República Democrática do Congo e apelaram a uma maior coordenação entre os intervenientes nos esforços de estabilização. Sobre Madagáscar, defenderam a manutenção do diálogo entre os actores políticos e saudaram os preparativos para a criação de um escritório de ligação da SADC no país.

Em relação a Moçambique, a organização saudou os progressos no processo de Diálogo Nacional Inclusivo e a assinatura de um compromisso político destinado a reforçar a unidade nacional e a coesão social.

No domínio da governação, a SADC reafirmou o compromisso com a realização de eleições credíveis e transparentes e aprovou um quadro destinado a reforçar a coordenação das posições comuns dos Estados-membros em matéria de política externa.

A organização apelou igualmente à aceleração da ratificação do Protocolo sobre a Facilitação da Circulação de Pessoas. Dos 16 Estados-membros, apenas sete ratificaram o documento, quando são necessárias 11 ratificações para a sua entrada em vigor.

A SADC analisou ainda a iniciativa UNIVISA, que pretende criar um visto turístico regional único. Angola, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zimbabwe participam nos preparativos para a fase-piloto do projecto.

Na área da segurança, os ministros saudaram o avanço da construção do depósito logístico regional da Força em Estado de Alerta da SADC, cuja execução atingiu cerca de 68 por cento. A infra-estrutura deverá reforçar a capacidade da organização para responder a conflitos, crises humanitárias, terrorismo e catástrofes naturais.

A corrupção e o crime organizado estiveram igualmente no centro da agenda. A SADC aprovou medidas contra o tráfico ilícito de armas, o tráfico de seres humanos, o contrabando de migrantes, a mineração ilegal, o tráfico de espécies selvagens e o cibercrime.

Os ministros defenderam ainda o reforço da cooperação no combate ao terrorismo e ao extremismo violento, através da partilha de informações, da criação de centros nacionais de contraterrorismo e de programas especializados de formação.

A reunião identificou também as alterações climáticas, a insegurança alimentar, o desemprego, a pobreza e a instabilidade geopolítica como alguns dos principais desafios da região, defendendo uma aceleração da industrialização, o aumento do comércio intra-regional e uma maior aposta no valor acrescentado das matérias-primas, incluindo minerais críticos como o lítio, o cobalto e o níquel.

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