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Ucranianos duvidam que a guerra termine antes do Inverno, diz jornal britânico, Financial Times

Integrantes da delegação ucraniana nas conversações de Kiev duvidam que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia possa terminar antes do Inverno, apesar de os enviados do Presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, defenderem que ainda é possível alcançar progressos para um acordo antes da chegada da estação fria, noticia o Financial Times, citando fontes próximas das negociações.

Segundo o jornal, as reuniões em Kiev partiram do reconhecimento de que o conflito dificilmente terminará antes do Inverno. Witkoff e Kushner terão levado poucas ideias novas, apresentando sobretudo versões actualizadas de propostas anteriores, numa tentativa de recuperar o interesse em planos já discutidos e aproximar as posições de Moscovo e Kiev.

O principal ponto de divergência continua a ser o Donbass, com Moscovo a exigir a retirada completa das forças ucranianas da parte da região que permanece sob controlo de Kiev. Para o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a questão territorial continua a ser uma das linhas vermelhas das negociações.

Durante as conversações, os enviados norte-americanos discutiram também formas de ajudar a Ucrânia a atravessar um Inverno que se prevê difícil, numa altura em que a Rússia intensifica os ataques contra infra-estruturas críticas. Apesar das dúvidas manifestadas do lado ucraniano, Witkoff e Kushner terão transmitido à equipa de Zelensky a convicção de que ainda é possível alcançar progressos antes do Inverno.

Zelensky reconheceu, entretanto, que a guerra poderá prolongar-se durante o Inverno e afirmou que a Ucrânia conta com um novo pacote de apoio dos Estados Unidos, incluindo o aumento da produção de sistemas de defesa antimíssil Patriot e a disponibilização de unidades adicionais.

O Presidente ucraniano voltou igualmente a rejeitar a possibilidade de ceder o Donbass como parte de um eventual acordo de paz. “A questão do Donbass não diz respeito apenas ao Donbass. Entre nós, penso que é a questão de toda esta guerra”, afirmou, defendendo que a situação militar no Leste da Ucrânia terá um peso decisivo no futuro do conflito.

A visita de Witkoff e Kushner a Kiev ocorreu um dia depois de ambos terem mantido uma reunião de mais de três horas com Vladimir Putin, em Moscovo. As conversações com o 

Presidente russo foram descritas pelo conselheiro presidencial Yuri Ushakov como “substantivas, construtivas e extremamente francas”, mas não produziram qualquer anúncio de um acordo concreto.

Witkoff e Kushner procuram agora relançar as negociações num formato que poderá voltar a reunir representantes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia. Kushner afirmou que Washington está a preparar um “pacote de paz”, enquanto Witkoff indicou que uma nova reunião entre os três países poderá ser anunciada em breve.

As negociações continuam, contudo, condicionadas pela questão territorial e pelas exigências divergentes de Moscovo e Kiev. Enquanto a administração Trump procura acelerar o processo diplomático e alcançar um entendimento antes do Inverno, os participantes ucranianos citados pelo Financial Times mantêm dúvidas sobre a possibilidade de a guerra terminar nesse prazo.

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