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UNITA corre contra o relógio para formalizar FPU e unir oposição em 2027 

Adalberto Costa Júnior ladeado por Abel Chivukuvuku e Filomeno V. Lopes

A decisão da UNITA de avançar com a formalização da Frente Patriótica Unida (FPU), anunciada na semana finda pelo líder do partido, Adalberto Costa Júnior, pode abrir uma nova frente na preparação das eleições gerais de 2027, mas levanta também uma questão de fundo: terá o partido do Galo Negro tempo suficiente para concluir o processo de formalização da plataforma e garantir que esta esteja juridicamente preparada para disputar as eleições de 2027? 

Esta pergunta faz todo o sentido se atendermos ao facto de a FPU já ter enfrentado dificuldades para se constituir formalmente antes das eleições de 2022. Na altura, a plataforma formada pela UNITA, Bloco Democrático e PRA-JA não conseguiu ser inscrita como coligação eleitoral, o que obrigou as forças políticas que  integravam a FPU a apoiar a lista da UNITA.

Em 2027, o cenário pode complicar-se, atendendo ao facto de que, para a FPU poder concorrer como coligação, a UNITA terá de concluir o processo de formalização da plataforma antes da apresentação das candidaturas. Em 2022, por exemplo, a legislação então aplicável estabelecia que as candidaturas fossem apresentadas ao Tribunal Constitucional no prazo de 20 dias após a convocação das eleições. 

É neste ponto que o factor tempo poderá tornar-se determinante, tal como refere uma fonte deste portal. “Quanto mais tarde for formalizada a FPU, menor será a margem para corrigir eventuais irregularidades, reunir documentação ou resolver questões jurídicas que possam surgir durante o processo”.

As declarações do líder da UNITA no final da semana passada são bastante interessantes, atendendo ao facto de revelarem uma evolução no discurso do partido. Em 2024, o então secretário-geral, Álvaro Chikuamanga Daniel, afirmou à imprensa que a UNITA estava preparada para “caminhar sozinha” nas eleições de 2027, caso fosse necessário. 

Em Março deste ano, Costa Júnior confirmou que a UNITA trabalhava já num novo modelo para a FPU, que seria lançado este ano com vista às eleições de 2027. A mudança representa, assim, uma passagem de uma estratégia assente na capacidade da UNITA de concorrer autonomamente para uma tentativa de reconstrução de uma plataforma eleitoral mais abrangente, tal como sempre defendeu o BD. 

A outra situação que pode complicar as pretensões da UNITA, é que, devido ao posicionamento inicial da UNITA, tal como fizemos menção no parágrafo acima, o Bloco Democrático tem trabalhado numa estrutura própria com outros partidos da oposição. Ainda assim, alguns sinais recentes podem ser indicativo de uma possível aproximação entre as duas formações políticas. Uma delas é a posição do BD relativamente aos acontecimentos de há duas semanas que envolveram militantes da UNITA e agentes da Polícia Nacional no Uíge, tendo o partido liderado por Filomeno Vieira Lopes, sido um dos primeiros a condenar o acto e apresentar solidariedade aos maninhos. 

Caso não exista um consenso entre a UNITA e o Bloco Democrático para uma frente única para as eleições gerais de 2027, então poderemos assistir a uma disputa eleitoral entre os partidos ou coligações dentro da própria oposição, o que me faz crer que os partidos devem já estar a negociar esta situação, não apenas entre a UNITA e o BD, mas com outros integrantes da oposição, entre eles os Pra -Ja e o partido Liberal. 

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