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Gana se recusa a receber Ramaphosa no país devido a violência xenofóbica na África do Sul

O Governo do Gana recusou um pedido de visita de Estado do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, citando preocupações acrescidas com os recentes ataques xenófobos na África do Sul que afectaram cidadãos ganeses.

De acordo com fontes diplomáticas do Daily Graphic em Acra e Pretória, a decisão surgiu na sequência de um aumento da violência contra estrangeiros em várias regiões da África do Sul, nas últimas semanas, que levou à repatriamento de cerca de 1.000 ganeses, com mais 900 já registados para regresso ao país.

Um cidadão ganês terá sido morto nos ataques de 30 de Junho, quando grupos xenófobos sul-africanos intensificaram as suas manifestações contra imigrantes africanos no país.

A África do Sul rejeitou as alegações de Gana de que o cidadão ganês terá sido morto durante os protestos anti-imigrantes. As autoridades sul-africanas afirmam que a vítima foi baleada a 29 de Junho, num ataque relacionado com extorsão num barbeiro em Nyanga, Cidade do Cabo, não tendo qualquer relação com as manifestações.

A disputa transformou-se num significativo conflito diplomático entre os dois países, tendo o Ministério da Justiça sul-africano condenado as declarações oficiais de Gana como “factualmente incorrectas”.

Preocupações com segurança

Uma fonte sul-africana disse ao Daily Graphic que o “Governo ganês estava profundamente preocupado com a segurança e a dignidade dos seus cidadãos na África do Sul” e que não poderia prosseguir com a visita de alto nível prevista para Agosto “sob as circunstâncias actuais”.

Uma fonte ganesa confirmou a decisão, sublinhando a posição do Governo na protecção dos seus cidadãos no estrangeiro. O Governo de Gana estaria também profundamente preocupado com as implicações de segurança para o Presidente sul-africano, tendo em conta os receios de represálias.

A mesma fonte indicou que a posição foi “inequivocamente transmitida à África do Sul” e que Pretória foi instada a tomar medidas concretas para garantir a segurança dos cidadãos ganeses, condição essencial para que a visita possa vir a realizar-se.

Apesar do incidente, a fonte ganês afirmou que as relações entre os dois países se mantêm cordiais.

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