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Washington e Teerão suspendem ataques e reabrem porta à diplomacia

Os Estados Unidos e o Irão suspenderam temporariamente as operações militares, numa tentativa de criar condições para o relançamento dos contactos diplomáticos e evitar uma nova escalada do conflito no Médio Oriente. A decisão foi confirmada por responsáveis dos dois países, numa altura em que as tensões continuam elevadas, apesar da pausa nas hostilidades.

O embaixador norte-americano junto das Nações Unidas, Mike Waltz, revelou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu interromper os ataques pelo segundo dia consecutivo para permitir o avanço das negociações. Em declarações à Fox News, o diplomata afirmou que a prioridade da administração norte-americana passa, nesta fase, por “dar espaço às conversações”, sem excluir, contudo, a possibilidade de recorrer novamente à força militar caso os esforços diplomáticos não produzam resultados. À NBC, Waltz reforçou que “todas as opções permanecem em cima da mesa”.

Do lado iraniano, um porta-voz das Forças Armadas confirmou igualmente a suspensão temporária dos ataques considerados de retaliação, descrevendo a medida como um gesto destinado a favorecer um eventual entendimento entre as partes.

A trégua surge após quase duas semanas de intensos confrontos entre Washington e Teerão, que comprometeram o cessar-fogo alcançado em Junho e reacenderam os receios de um alargamento do conflito a toda a região. Durante este período, ambos os lados trocaram ataques contra infra-estruturas militares e estratégicas, aumentando a instabilidade no Médio Oriente.

Entretanto, representantes do Irão e de Omã reuniram-se, na passada sexta-feira e no sábado, em Teerão, onde realizaram várias rondas de negociações técnicas sobre a gestão do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias estratégicas. A segurança daquela passagem continua a ser um dos principais pontos de tensão entre Washington e Teerão, sobretudo depois dos ataques contra petroleiros registados em Julho, que levaram os Estados Unidos a retomar os bombardeamentos e a reforçar o bloqueio naval aos portos iranianos.

Mike Waltz rejeitou ainda informações avançadas pelo The New York Times, segundo as quais o Governo norte-americano estaria preocupado com uma eventual diminuição das reservas de munições destinadas à defesa aérea. O responsável garantiu que as Forças Armadas dos Estados Unidos mantêm plena capacidade operacional para responder a qualquer evolução da situação.

A instabilidade provocada pelo conflito continua igualmente a fazer-se sentir nos mercados internacionais. O preço do petróleo ultrapassou novamente a barreira dos 100 dólares por barril, alimentando preocupações quanto ao abastecimento energético e ao impacto económico de uma eventual intensificação da guerra.

Apesar da actual pausa nas operações militares, a evolução da situação permanece incerta. Donald Trump deverá receber, na próxima terça-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, num encontro que deverá centrar-se na situação no Médio Oriente e nas possibilidades de reforçar os esforços diplomáticos para evitar um novo agravamento do conflito.

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