O Egipto e a África do Sul continuam a consolidar a sua posição como principais exportadores mundiais de laranja, devendo representar, em conjunto, cerca de 69% das exportações globais em 2026. Os dados constam dos relatórios Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), compilados pela CitrusBR.
Desde 2010, os dois países aumentaram em cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilogramas o volume de fruta colocado nos mercados internacionais. Há 16 anos, as exportações globais de laranja de mesa totalizavam 97,9 milhões de caixas, das quais 47,6 milhões eram provenientes do Egipto e da África do Sul, o equivalente a 48,6% do comércio mundial. Na altura, países como os Estados Unidos, os membros da União Europeia, a Turquia e Marrocos concentravam uma parcela significativa do mercado.
Para 2026, o USDA prevê que o comércio mundial de laranja atinja 121,1 milhões de caixas, um crescimento de 23,6% face a 2010. Deste total, o Egipto e a África do Sul deverão responder por 83,3 milhões de caixas, reforçando o seu domínio sobre o mercado internacional.
Em sentido contrário, os restantes exportadores têm vindo a perder quota. O chamado “Resto do Mundo”, que exportava 50,3 milhões de caixas em 2010, deverá reduzir esse volume para 37,8 milhões em 2026.
A perda de competitividade de alguns produtores tradicionais abriu espaço para a ascensão dos dois países africanos. Nos Estados Unidos, os efeitos da doença greening na Florida e os problemas climáticos na Califórnia reduziram as exportações de 18,3 milhões de caixas em 2010 para uma estimativa de apenas oito milhões em 2026, o que representa uma quebra de 56%.
Na Europa, secas prolongadas e doenças afectaram a produção citrícola, provocando uma redução de quase 14 milhões de caixas no período entre 2010 e 2026. A menor disponibilidade de fruta limitou as exportações europeias e favoreceu o avanço de novos fornecedores.
A África do Sul foi uma das principais beneficiárias deste rearranjo do mercado. Segundo o USDA, a produção sul-africana aumentou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas, registando um crescimento de 33%. As exportações cresceram ainda mais, passando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, um aumento de 60%. Além da Europa, que continua a ser o principal destino, mercados como a China, a Rússia e os Estados Unidos ganharam importância para a fruta sul-africana.
O Egipto também acelerou a sua expansão internacional, sobretudo a partir de 2016. A desvalorização da moeda, os acordos comerciais com tarifas preferenciais, os custos de produção competitivos, o apoio governamental e o financiamento europeu contribuíram para fortalecer a competitividade do país no mercado da fruta fresca.
Embora o Brasil continue a dominar o mercado mundial de sumo de laranja, o Egipto e a África do Sul concentraram-se no segmento da fruta fresca, onde a presença brasileira é reduzida. Segundo o director-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a estratégia sul-africana centrou-se na exportação de fruta de mesa, enquanto o crescimento egípcio permitiu igualmente expandir a indústria de processamento, aumentando a concorrência sobretudo no mercado europeu.
De acordo com as estimativas do USDA, o Egipto deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja este ano, o equivalente ao volume de fruta fresca que exportava em 2010. Este processamento poderá resultar na colocação de aproximadamente 78 mil toneladas de sumo de laranja equivalente no mercado, numa altura em que a procura mundial pelo produto continua a registar sinais de desaceleração.
Fonte: CitrusBR

