Cientistas estão a aprofundar a investigação sobre o aumento da mortalidade das crias de elefantes do deserto no noroeste da Namíbia, num estudo que visa identificar os factores responsáveis pelas mortes e contribuir para a conservação desta população.
A investigação ganhou um novo impulso após a morte de uma cria recém-nascida, cujos últimos momentos de vida foram registados em vídeo e divulgados pela organização Elephant-Human Relations Aid (EHRA). Segundo a organização, o animal tinha apenas algumas horas de vida quando foi filmado em evidente sofrimento, acabando por morrer pouco depois.
Na altura, encontravam-se vários turistas nas proximidades, circunstância que, de acordo com a EHRA, poderá ter provocado um nível adicional de stress tanto na cria como na manada. No entanto, a causa exacta da morte continua por determinar.
O estudo está a ser desenvolvido em parceria com a professora Daniella Chusyd, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Os investigadores irão analisar amostras genéticas, dados recolhidos no terreno e indicadores de stress fisiológico, procurando compreender os factores que influenciam a sobrevivência das crias de elefantes do deserto.
O guia de safári Atanasius Gawiseb, que trabalha na região desde o início da década de 2000, considera que o aumento da actividade turística poderá estar a exercer uma pressão crescente sobre estes animais.
Segundo afirmou, nas últimas décadas tornou-se frequente a presença de vários veículos em redor das manadas, reduzindo a tranquilidade necessária para o comportamento natural dos elefantes.
“Quando comecei a trabalhar nesta região, os nascimentos decorriam com maior sucesso. Hoje, há constantemente veículos muito próximos dos elefantes e estes já não dispõem da privacidade de que necessitam”, afirmou.
Gawiseb manifestou igualmente preocupação com a expansão das infra-estruturas turísticas e com a circulação de veículos fora das vias autorizadas, práticas que, no seu entender, contribuem para a degradação do habitat natural da espécie.
O Ministério do Ambiente e Turismo da Namíbia confirmou o seu apoio à investigação. O porta-voz da instituição, Vilho Hangula, afirmou que o Governo acompanha o estudo e considera essencial compreender os factores que estão na origem da elevada mortalidade das crias, em particular na região do rio Ugab.
Além do ministério e da EHRA, a investigação conta ainda com a participação da Reserva de Caça de Ongava e de outras instituições dedicadas à conservação da vida selvagem.
A EHRA apelou aos visitantes para que mantenham uma distância segura dos elefantes durante os safáris, permitindo que os animais se comportem de forma natural, sem perturbações. A organização incentiva igualmente o público a apoiar a investigação, quer através da participação em expedições científicas, quer por meio de contribuições para o financiamento do estudo, que pretende reunir evidências capazes de reforçar as estratégias de protecção dos elefantes do deserto da Namíbia.
Uma pequena correcção factual: na frase inicial, “morte de filhotes” foi substituída por “mortalidade das crias de elefantes”, expressão mais habitual no jornalismo em português europeu e mais adequada ao contexto científico.
Fonte: The Namibian

