A cidade sul-africana de Durban prepara-se para avançar com um dos seus mais ambiciosos projectos de desenvolvimento urbano, numa tentativa de revitalizar a economia local após vários anos marcados por crises económicas, sociais e infra-estruturais.
O projecto Durban Point Waterfront, promovido pela Durban Point Waterfront Company — uma parceria entre o município de eThekwini e a promotora imobiliária ROC Point — pretende atrair investimento de grande escala para uma área estratégica junto à frente marítima da cidade.
Segundo o director executivo da Invest Durban, Russell Curtis, as obras deverão arrancar até ao final de 2026. O plano contempla a construção de uma torre com 55 andares e o desenvolvimento de 14 lotes, que ocuparão cerca de 125 mil metros quadrados, destinados a habitação, comércio, escritórios, espaços de lazer, serviços de saúde e instituições de ensino.
De acordo com Curtis, o local já dispõe das principais infraestruturas, incluindo acessos rodoviários, ligações às redes de água e electricidade, o que deverá facilitar o início dos trabalhos e reduzir os custos associados à implementação do empreendimento.
O responsável considerou ainda que a actividade dos chamados “construction mafias”, grupos criminosos frequentemente associados à extorsão e à interrupção de projectos de construção na África do Sul, deixou de representar uma ameaça significativa para o desenvolvimento da iniciativa, embora persistam algumas preocupações no sector.
O investimento surge numa altura em que Durban procura recuperar de uma sucessão de acontecimentos que afectaram profundamente a economia da cidade, a maior da província de KwaZulu-Natal. Em Julho de 2021, motins provocaram prejuízos estimados em até 70 mil milhões de rands, afectando empresas, infra-estruturas e cadeias de abastecimento.
No ano seguinte, chuvas intensas e inundações devastaram várias zonas da cidade, provocando a morte de mais de 400 pessoas e causando elevados danos materiais. Em 2023, o Porto de Durban — o maior da África Austral — enfrentou graves problemas de congestionamento, com 79 navios obrigados a permanecer ao largo devido aos atrasos nas operações portuárias, situação que afectou o comércio regional.
As autoridades locais esperam que o Durban Point Waterfront contribua para restaurar a confiança dos investidores, estimular a criação de emprego e reforçar o papel de Durban como um dos principais centros económicos e logísticos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Fonte:: Africa Intel

