Paulo Silva
O líder do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, defendeu que a aproximação das eleições gerais de 2027 não deve paralisar o funcionamento do país nem impedir a realização de concursos públicos, considerando que os angolanos continuam a precisar de emprego e de oportunidades, independentemente do calendário eleitoral.
As declarações foram proferidas durante a jornada “7/7 – Ver, Ouvir e Partilhar”, realizada no Mercado dos Kwanzas, em Luanda, onde o líder do PRA-JA destacou a necessidade de transmitir uma mensagem de esperança à população, sobretudo às camadas mais vulneráveis.
“Para nós, o fundamental é o contacto directo com o cidadão. É para ele ter esperança e confiança. A nossa mensagem vai sobretudo para os angolanos sofredores e pobres. É para eles que levamos a esperança e a crença no futuro”, afirmou.
Durante a iniciativa, Abel Chivukuvuku mostrou-se confiante no papel que o PRA-JA pretende desempenhar nas próximas eleições gerais, defendendo que o partido poderá tornar-se uma força determinante no futuro político de Angola.
“Eu já disse e não tenho dúvida: agora já não será governo ou, no mínimo, partilhão. Seremos um factor imprescindível para o futuro do país”, declarou.
Questionado sobre as recorrentes denúncias de fraude eleitoral em processos anteriores, o presidente do PRA-JA manifestou confiança de que as próximas eleições decorrerão num contexto diferente. O dirigente argumentou que também entre aqueles que, segundo afirmou, terão participado em irregularidades no passado existe actualmente um desejo de mudança.
“Os que fazem ou faziam a fraude são angolanos. E eles também sofrem. Também querem mudança e, desta vez, não vão fazer”, afirmou.
Abel Chivukuvuku revelou ainda que o partido está a preparar um mecanismo específico para acompanhar e fiscalizar o processo eleitoral em todo o país. A tarefa deverá ficar a cargo da Direcção de Defesa do Voto, estrutura que será responsável pela organização da fiscalização eleitoral do PRA-JA.
“Temos a Direcção de Defesa do Voto no partido, que vai estruturar isso. O objectivo é transmitir confiança e tranquilidade, incluindo àqueles que poderão perder o poder”, explicou.
Sobre a realização de concursos públicos num período pré-eleitoral, o líder do PRA-JA rejeitou a ideia de que estas iniciativas devam ser necessariamente interpretadas como instrumentos de mobilização política, defendendo que o funcionamento do Estado não pode ser interrompido devido à aproximação das eleições.
“O país não pode parar só porque vamos ter eleições. O país tem de continuar a funcionar. As pessoas que concorrem aos concursos públicos são angolanas. Também são sofredoras e são pobres”, afirmou.
Durante o encontro, Abel Chivukuvuku apresentou ainda algumas das principais prioridades políticas do PRA-JA, apontando como eixos de governação a melhoria da qualidade da Administração Pública, a elevação das condições de vida da população e o combate à corrupção e ao desvio de recursos públicos.
O dirigente defendeu igualmente aquilo que designou como um “reformatório do sentido”, conceito que, segundo explicou, deverá promover uma mudança de atitudes, comportamentos e valores na sociedade angolana.

