A companhia aérea estatal Namibia Air que anunciou esta semana que vai relançar a sua companhia de bandeira nacional, a Air Namíbia, anunciou igualmente que o processo se encontra já numa nova fase com a solicitação, oficialmente, de licenças para operar voos regulares e serviços de transporte de passageiros e carga a pedido.
O pedido de autorização marca uma etapa decisiva no processo de criação da nova transportadora nacional, cerca de oito meses depois de o projecto ter sido aprovado pelo Governo da Namíbia. A empresa pretende iniciar operações a partir dos aeroportos Internacional Hosea Kutako e Eros, em Windhoek, prevendo uma expansão gradual ao longo dos próximos cinco anos.
Os documentos submetidos ao Diário Oficial apresentam informações sobre as rotas previstas, a frequência dos voos, a frota planeada e as estimativas de tarifas.
A rede inicial da Namibia Air deverá abranger destinos dentro da Namíbia, bem como ligações a países da África Austral e Central.
Entre as cidades previstas encontram-se Ondangwa, Rundu, Mpacha, Lüderitz e Walvis Bay, além de destinos internacionais como Joanesburgo, Cidade do Cabo, Gaborone, Durban, Cataratas Vitória, Harare, Lusaca e Lubumbashi.
A companhia estima um mercado potencial de aproximadamente 800 mil passageiros nas rotas domésticas e regionais. Além do transporte de passageiros em classe económica e executiva, o plano prevê também operações de carga.
Plano prevê aquisição de sete aeronaves
Actualmente, a Namibia Air ainda não possui aeronaves próprias nem contratos de aluguer de aviões.
O plano da companhia prevê a aquisição de quatro jactos regionais Embraer ERJ145, avaliados em cerca de 49,52 milhões de dólares namibianos cada, o equivalente a aproximadamente 2,825 mil milhões de kwanzas, e de três aeronaves Embraer E170 ou E175, com um custo estimado de cerca de 7,539 mil milhões de kwanzas cada.
A aquisição das sete aeronaves representaria um investimento aproximado de 594 milhões de dólares namibianos, equivalente a cerca de 33,894 mil milhões de kwanzas.
A expansão da operação será feita de forma gradual. Na rota Windhoek–Ondangwa, a companhia prevê inicialmente 12 ligações semanais, número que deverá aumentar posteriormente para 21. Já a ligação entre Windhoek e Joanesburgo deverá atingir 21 voos semanais a partir do segundo ano de actividade.
Tarifas previstas e dúvidas sobre financiamento
A Namibia Air apresentou estimativas médias de preços antes da aplicação das taxas aeroportuárias, com valores aproximados de:
- 1 327 dólares namibianos para a rota Windhoek–Ondangwa;
- 1 882 dólares namibianos para Windhoek–Joanesburgo;
- 1 939 dólares namibianos para Windhoek–Cidade do Cabo;
- 2 340 dólares namibianos para Windhoek–Cataratas Vitória.
A companhia esclareceu, no entanto, que os preços finais poderão variar em função da procura e das condições do mercado.
Apesar do avanço no processo de licenciamento, ainda não foi definida a data para o início dos voos, nem está esclarecido como será financiada a implementação da nova companhia aérea.
O ministro dos Transportes da Namíbia, Veikko Nekundi, afirmou que o Governo está em negociações com companhias aéreas internacionais tendo em vista possíveis parcerias estratégicas.
Sucessora da Air Namibia
A criação da Namibia Air foi aprovada pelo Governo namibiano em Novembro de 2025, com o objectivo de substituir a antiga Air Namibia, encerrada em Fevereiro de 2021, após anos de dificuldades financeiras.
Antes da liquidação, a Air Namibia empregava mais de 600 trabalhadores e acumulava dívidas próximas de 5,4 mil milhões de dólares namibianos, enquanto os seus activos estavam avaliados em pouco mais de mil milhões de dólares namibianos.
A nova companhia estatal pretende recuperar a presença da Namíbia no sector da aviação comercial e ampliar as ligações aéreas do país com a região africana.
By: AZ.com.na

