31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Economia SADC

Maior banco de África alerta África do Sul para os riscos económicos ao restringir imigração

O presidente executivo do Standard Bank Group, Sim Tshabalala, alertou a África do Sul para os riscos económicos de políticas restritivas em relação à imigração, usando o Brexit como exemplo das consequências que podem resultar de decisões políticas alimentadas pela hostilidade contra os migrantes.

Tshabalala falava durante o Seminário de Inverno da Fundação Kgalema Motlanthe, em Joanesburgo, que reuniu líderes políticos e empresariais para discutir a imigração e as suas implicações para África.

Segundo o responsável do maior banco africano, a saída do Reino Unido da União Europeia deve servir de alerta para a África do Sul e não de modelo a seguir. Citando estimativas sobre o impacto do Brexit, Tshabalala afirmou que a economia britânica registou uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) entre 6% e 8%, uma queda de 13% no investimento e um aumento do desemprego de cerca de 4%, em comparação com um cenário em que o país tivesse permanecido no bloco europeu.

“Olhem para o Brexit”, pediu Tshabalala, ao defender que a experiência britânica deve ser encarada como uma advertência sobre os custos económicos de políticas que restringem a circulação de pessoas e as relações económicas.

Migrantes também são consumidores

O presidente executivo do Standard Bank contestou igualmente o argumento de que os cidadãos estrangeiros retiram inevitavelmente empregos aos sul-africanos, pressionam os salários e representam um peso insustentável para os serviços públicos.

Segundo Tshabalala, a imigração pode contribuir para reduzir o desemprego ao estimular a actividade económica e aumentar a procura por bens e serviços.

“Os migrantes não são apenas trabalhadores; são também consumidores. São inquilinos, passageiros, agricultores, mutuários, comerciantes e empresários”, afirmou.

O responsável explicou que os migrantes arrendam habitações, compram alimentos, utilizam transportes públicos e privados, pagam propinas e criam pequenas empresas que, em alguns casos, empregam cidadãos locais.

A imigração pode igualmente ajudar a preencher lacunas de competências, aumentar a força de trabalho produtiva e reforçar as relações comerciais entre a África do Sul e outras economias africanas, acrescentou.

Tshabalala rejeitou ainda a ideia de que os cidadãos estrangeiros contribuam pouco para as receitas do Estado. Os migrantes empregados formalmente pagam imposto sobre o rendimento, enquanto os que trabalham fora do sistema formal continuam a contribuir para as receitas públicas através do imposto sobre o valor acrescentado e de outras taxas aplicadas à compra de alimentos, combustíveis e outros bens.

O debate ocorre num momento em que a imigração continua a ser uma questão politicamente sensível na África do Sul, onde persistem tensões relacionadas com o emprego, o acesso aos serviços públicos e a presença de cidadãos estrangeiros, sobretudo provenientes de outros países africanos.

Para o responsável do Standard Bank, contudo, uma política de imigração baseada exclusivamente na restrição pode acabar por prejudicar a própria economia sul-africana, ao limitar o consumo, o investimento, a disponibilidade de mão-de-obra e as relações comerciais com o resto do continente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *