31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Destaque Política

Angola deverá crescer 2,3% em 2026 mas petróleo e dívida continuam a pressionar economia 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia angolana cresça 2,3% em 2026, abaixo dos 3,1% registados em 2025, num cenário ainda condicionado pela queda da produção petrolífera, pelas necessidades de financiamento do Estado e pela necessidade de acelerar a diversificação económica. 

A previsão consta da avaliação do FMI no âmbito da consulta ao abrigo do Artigo IV, concluída pelo Conselho Executivo da instituição em Maio. O organismo considera que o crescimento angolano deverá abrandar no curto prazo devido à contenção da despesa prevista no Orçamento Geral do Estado para 2026, adoptada num contexto de declínio estrutural das receitas petrolíferas. 

Apesar do abrandamento, o FMI prevê que a actividade não petrolífera continue a sustentar a economia. A instituição projecta uma recuperação gradual no médio prazo, com crescimento de cerca de 3,1%, mas sublinha que esse desempenho dependerá da implementação de reformas estruturais profundas e da capacidade de Angola diversificar a sua economia. 

O FMI identifica a forte dependência do petróleo como um dos principais riscos para a estabilidade económica de Angola. A queda significativa da produção petrolífera em 2025 enfraqueceu tanto a posição orçamental como a externa do país.

As menores receitas petrolíferas, associadas a derrapagens na despesa pública, contribuíram para um défice orçamental de 4,1% do PIB em 2025. Ao mesmo tempo, a redução das exportações de petróleo e a apreciação real do kwanza contribuíram para a deterioração da conta corrente, cujo excedente caiu para cerca de 0,4% do PIB. 

O Fundo alerta, por isso, para a necessidade de manter uma política orçamental prudente e de reforçar a gestão da dívida pública. Segundo uma análise complementar do organismo, Angola teria de manter um excedente primário de 2,4% do PIB durante uma década para reduzir a dívida pública para cerca de 50% do PIB. 

Um dos sinais positivos destacados pelo FMI é a trajectória da inflação. A subida dos preços tem vindo a abrandar, tendo a inflação homóloga descido para 12,4% em Março de 2026, impulsionada, em parte, por uma política monetária restritiva. Para 2026, o FMI prevê uma inflação média de 12,9%. 

A instituição considera que a inflação deverá continuar a diminuir, aproximando-se gradualmente do objectivo de um dígito definido pelo Banco Nacional de Angola (BNA), embora persistam riscos associados aos preços dos alimentos e da energia.

Para o FMI, o crescimento sustentável de Angola dependerá sobretudo da capacidade de fortalecer o sector privado, melhorar o acesso ao crédito, simplificar o ambiente empresarial e prosseguir a liberalização do mercado cambial.

A instituição recomenda ainda o reforço da governação, a melhoria da regulação e medidas destinadas a atrair investimento privado, incluindo investimento estrangeiro. O Corredor do Lobito é apontado como uma iniciativa com potencial para melhorar a conectividade, estimular o investimento e apoiar a diversificação económica.

O diagnóstico do FMI deixa, assim, uma mensagem clara: Angola conseguiu melhorar alguns dos seus indicadores macroeconómicos, mas continua exposta aos choques do petróleo e precisa de acelerar as reformas estruturais para transformar o crescimento numa expansão mais sustentável e inclusiva.

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