O indicador, que vai além das estatísticas oficiais, contabiliza não apenas os desempregados stricto sensu, mas também os trabalhadores a tempo parcial involuntário e aqueles cujo rendimento anual é inferior a 26 mil dólares, um limiar que, na prática, inviabiliza a subsistência autónoma na maioria das regiões dos Estados Unidos.
Segundo o mais recente relatório daquela instituição de investigação económica, a chamada True Rate of Unemployment subiu 0,4 pontos percentuais face a Junho, alcançando em Julho o valor mais elevado desde o pico da crise pandémica. Em termos absolutos, isto significa que cerca de 41 milhões de americanos se encontram numa situação de precariedade laboral grave, ainda que muitos deles constem como “empregados” nas estatísticas oficiais do Departamento do Trabalho.
A subida ininterrupta desde Abril reflecte, na opinião dos analistas, um arrefecimento do mercado de trabalho que os números tradicionais, com uma taxa de desemprego oficial em torno dos 4%, não conseguem captar. “O emprego a tempo parcial por falta de melhor opção e os salários de miséria são a face oculta de uma recuperação que beneficia sobretudo os trabalhadores mais qualificados”, comenta o relatório.
O Ludwig Institute alerta ainda para o efeito cumulativo da inflação nos rendimentos mais baixos, que tem vindo a empurrar para baixo o poder de compra real, agravando o número de pessoas que, embora com vínculo laboral, vivem numa zona cinzenta entre o emprego e a exclusão social.
Perante este cenário, economistas de várias universidades americanas têm pressionado a Reserva Federal e a administração Biden para que adoptem medidas de estímulo dirigidas aos sectores mais afectados, receando que a deterioração do mercado de trabalho se torne estrutural.
Por agora, os dados do Instituto Ludwig sugerem que a recuperação plena do emprego de qualidade ainda não chegou a quase um quarto da força de trabalho dos EUA.

