O Director da CIA, John Ratcliffe, deslocou-se a Moscovo na terça-feira, 25 de Agosto, numa visita não anunciada que ocorreu num momento de crescente preocupação em Washington perante os movimentos militares da Rússia e a possibilidade de o Kremlin estar a preparar uma nova mobilização.
Segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal e posteriormente citadas por vários meios de comunicação social, os serviços secretos norte-americanos tinham detectado sinais iniciais de preparativos que poderiam estar relacionados com uma eventual mobilização militar russa. As informações também levantaram a possibilidade de Moscovo procurar testar a determinação dos países da NATO.
Durante a deslocação, Ratcliffe manteve contactos com responsáveis dos serviços de informações russos. O Kremlin confirmou posteriormente a presença do Director da CIA em Moscovo, mas esclareceu que não tinha ocorrido qualquer encontro com o Presidente Vladimir Putin. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Putin tinha sido informado sobre o resultado das conversações.
O propósito exacto da visita não foi divulgado. Uma das principais hipóteses avançadas esteve relacionada com os alegados preparativos para uma nova mobilização russa, que poderiam ter sido associados à expansão das operações militares de Moscovo e a uma eventual avaliação da resposta dos países da NATO.
Analistas admitiram ainda que Ratcliffe poderia ter transmitido uma mensagem de advertência às autoridades russas. Beth Sanner, antiga Directora-Adjunta da Inteligência Nacional dos Estados Unidos, considerou que a mensagem poderia ter sido, em termos simples, a de que Washington tinha conhecimento do que a Rússia estaria a preparar e esperava que o plano não avançasse.
As conversações poderão também ter abordado a guerra no Irão e os esforços destinados a manter um cessar-fogo. Ratcliffe poderia ter discutido igualmente o apoio de Moscovo a Teerão, numa altura em que os Estados Unidos tinham reforçado as sanções contra o Irão.
Apesar das especulações em torno da deslocação, o Presidente norte-americano Donald Trump descreveu a viagem como “semi-rotineira” e afastou publicamente a possibilidade de a missão estar directamente relacionada com um eventual teste à NATO ou com as sanções impostas ao Irão.

