O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia da Namíbia cresça apenas 2,1% em 2026, depois de ter registado uma expansão de 1,7% em 2025, num cenário marcado pela fraqueza do sector diamantífero, pela redução da produção de ouro e pelo aumento dos custos dos combustíveis.
A avaliação consta da consulta ao abrigo do Artigo IV, concluída pelo Conselho Executivo do FMI a 11 de Junho de 2026. Segundo o organismo, a economia namibiana continua a enfrentar dificuldades estruturais que limitam a produtividade, a criação de emprego e a diversificação económica.
O FMI destaca a prolongada quebra da procura mundial por diamantes como um dos principais factores que contribuíram para o abrandamento económico. A produção de urânio e a actividade no sector dos serviços ajudaram, contudo, a compensar parcialmente o impacto negativo da indústria diamantífera.
A inflação registou uma descida significativa em 2025, mas o FMI alerta que o aumento dos preços dos combustíveis, associado à guerra no Médio Oriente, deverá voltar a exercer pressão sobre os preços em 2026. A inflação deverá, entretanto, convergir para cerca de 3% no médio prazo.
O organismo considera que os riscos para as perspectivas económicas estão sobretudo inclinados para o lado negativo. Entre as principais ameaças estão uma eventual intensificação da guerra no Médio Oriente, condições financeiras internacionais mais apertadas, nova deterioração da procura mundial por diamantes, aumento da dívida pública e maior exposição aos efeitos das alterações climáticas.
Apesar dos desafios, a Namíbia poderá beneficiar do desenvolvimento de petróleo, gás e hidrogénio verde, sectores que o FMI considera capazes de atrair investimento, diversificar a economia e criar emprego. O organismo defende, porém, a criação de regras claras e transparentes para a gestão das futuras receitas provenientes dos recursos naturais.
O FMI recomenda ainda ao Governo namibiano maior disciplina orçamental, de modo a colocar a dívida pública numa trajectória descendente, bem como reformas no sector público, melhoria da eficiência do investimento estatal e redução dos obstáculos regulatórios à actividade empresarial.
A instituição considera igualmente prioritário reforçar a supervisão do sector financeiro e preservar a credibilidade da ligação do dólar namibiano ao rand sul-africano.
No entendimento do FMI, o crescimento actual continua insuficiente para reduzir de forma significativa o desemprego, a pobreza e as desigualdades, particularmente entre os jovens. A economia permanece fortemente dependente dos sectores extractivo e público, pelo que o desenvolvimento de um sector privado mais dinâmico será fundamental para sustentar um crescimento mais inclusivo.

