31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
Destaque SADC

Ministro sul-africano urge SADC a transformar os seus recursos minerais em riqueza dentro da região

O ministro sul-africano das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, defendeu, durante a reunião de Durban, na África do Sul, que os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) devem deixar de depender sobretudo da exportação de matérias-primas e passar a retirar maior valor económico dos recursos minerais explorados na própria região.

Ao falar sobre as prioridades da SADC, Lamola considerou que os países membros precisam de apostar na transformação dos seus recursos, na criação de cadeias de valor regionais e no aumento do comércio entre si, numa estratégia que poderá também abrir novas oportunidades para países como Angola.

“Reverter este padrão exige que beneficiemos os nossos recursos, construamos cadeias de valor regionais e façamos mais comércio entre nós”, afirmou o governante sul-africano.

A posição de Lamola surge num momento em que os minerais considerados críticos ganham importância estratégica para as principais economias mundiais, devido à sua utilização em sectores como a produção de baterias, veículos eléctricos, tecnologias digitais e energias renováveis.

A África Austral possui importantes reservas de minerais procurados pela indústria mundial, mas grande parte da actividade continua concentrada na extracção e exportação de matérias-primas, deixando para outras regiões as etapas de transformação e fabrico que geram maior valor acrescentado.

Para inverter esta realidade, o ministro sul-africano defende uma maior integração económica entre os países da SADC, com a criação de cadeias de produção que atravessem as fronteiras nacionais e permitam que uma parcela maior da riqueza gerada pelos recursos naturais permaneça na região.

Neste processo, as infra-estruturas terão um papel central. Corredores de transporte, energia, portos, redes digitais e sistemas de abastecimento de água são apontados como fundamentais para aproximar os países produtores dos centros de transformação e dos mercados regionais e internacionais.

A estratégia poderá ter particular relevância para Angola, que procura aumentar a produção mineira e diversificar uma economia ainda fortemente dependente do petróleo. O desenvolvimento de recursos como o cobre, manganês e outros minerais estratégicos poderá ganhar uma dimensão regional se for acompanhado por investimentos em transformação, logística e indústria.

A visão defendida por Lamola aponta, assim, para uma SADC em que os países não actuem apenas como fornecedores de matérias-primas para empresas estrangeiras, mas procurem desenvolver conjuntamente as diferentes etapas da cadeia produtiva.

Além de aumentar o valor económico retido na região, a estratégia pretende atrair investimento e criar empregos, dando aos países da África Austral uma posição mais forte numa corrida global pelo controlo e transformação dos minerais considerados essenciais para as novas tecnologias.

Para Angola, a aproximação a esta agenda regional poderá representar uma oportunidade para ligar a expansão do sector mineiro aos esforços de industrialização e integração económica da SADC.

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