O Corredor do Lobito assegurou, em Julho, um financiamento de 753 milhões de dólares para a reabilitação e modernização do seu caminho-de-ferro, numa operação que envolve a Development Finance Corporation (DFC) dos Estados Unidos e o Development Bank of Southern Africa (DBSA), reforçando o papel estratégico de Angola nas novas rotas de exportação de minerais críticos da África Austral, noticiou o portal de notícias, Global Trade Review,
O país poderá assim assumir uma posição cada vez mais relevante na nova economia dos minerais críticos, à medida que avançam os investimentos destinados a transformar o Corredor do Lobito numa das principais rotas de transporte de recursos minerais da África Austral para os mercados internacionais.
O investimento vem assim reforçar a importância estratégica da ligação ferroviária que atravessa Angola e estabelece uma ligação directa entre o Atlântico e as zonas mineiras da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, países que possuem importantes reservas de cobre, cobalto e outros minerais considerados essenciais para a transição energética e para sectores tecnológicos.
Para Angola, o projecto poderá representar uma oportunidade que vai muito além das receitas associadas ao transporte de mercadorias. O país poderá posicionar-se como uma plataforma logística para a exportação de minerais provenientes do interior da África Austral, ao mesmo tempo que cria condições para o desenvolvimento de serviços de transporte, armazenamento, logística e actividades industriais ao longo do corredor.
A crescente procura internacional por minerais críticos está também a aumentar a importância geopolítica das infra-estruturas que permitem retirar esses recursos do interior do continente. Neste contexto, o Corredor do Lobito surge como uma alternativa às tradicionais rotas de exportação utilizadas pelos países mineiros da região.
O desafio para Angola será transformar esta vantagem geográfica em valor económico interno. Para além de assegurar o funcionamento eficiente da ligação ferroviária, o país terá de desenvolver infra-estruturas logísticas complementares, reduzir os custos de transporte e criar condições para atrair investimentos industriais e empresas de serviços.
Se conseguir fazê-lo, Angola poderá deixar de ser apenas um ponto de passagem dos minerais da região para se afirmar como um dos principais centros logísticos e económicos da nova corrida africana aos minerais críticos.

