Responsáveis da Defesa da NATO terão concluído, numa cimeira à porta fechada, que os países europeus não dispõem actualmente de munições, capacidade industrial e efectivos militares suficientes para suportar um conflito prolongado com a Rússia, segundo o jornal britânico The Guardian, que cita fontes presentes na reunião.

De acordo com o jornal, as conclusões terão alimentado um sentimento de “pessimismo militar” entre os responsáveis pelo planeamento da Aliança Atlântica. Entre as preocupações identificadas estarão os reduzidos stocks de munições, a limitada capacidade da indústria europeia para aumentar rapidamente a produção de armamento e as dificuldades relacionadas com o recrutamento e a manutenção de efectivos militares.
O cenário torna-se particularmente preocupante perante a possibilidade de uma redução acelerada do apoio norte-americano à defesa europeia. Segundo as fontes citadas pelo
The Guardian, o menor envolvimento de Washington obrigaria os países europeus a assumir uma grande parcela dos encargos militares da NATO.
O jornal relaciona igualmente o pessimismo manifestado pelos responsáveis da Aliança com a crescente popularidade de partidos de direita em vários países europeus. A evolução política interna poderá, segundo esta avaliação, dificultar a obtenção do consenso necessário para aumentar as despesas de Defesa, reforçar as Forças Armadas e manter um esforço de guerra prolongado.
NATO teria de preparar uma guerra curta
Perante estas limitações, os responsáveis terão chegado à conclusão de que, nas condições actuais, os dirigentes europeus teriam dificuldades em sustentar uma guerra de longa duração contra a Rússia.
Em vez de assentar o planeamento numa campanha prolongada, a NATO teria, por isso, de preparar-se para um conflito curto e de elevada intensidade, no qual seria necessário mobilizar rapidamente forças, munições e capacidade industrial.
A avaliação não significa necessariamente que uma guerra entre a NATO e a Rússia seja considerada iminente. Trata-se, antes, de um alerta sobre a capacidade de sustentação militar europeia perante um cenário de conflito de grande escala.

