O preço do petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) ultrapassou esta quinta-feira a barreira psicológica dos 100 dólares por barril, atingindo os 100,01 dólares , num forte movimento que acabou por ser valorizado e impulsionado pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e pelos receios de novas perturbações no abastecimento mundial de crude.
O WTI chegou a valorizar cerca de 7% durante a sessão, enquanto o Brent, referência internacional para o mercado petrolífero, também negociava acima dos 105 dólares por barril. Dados da Reuters indicam que o WTI chegou aos 101,21 dólares, enquanto o Brent atingiu 106,60 dólares.
A subida ocorre depois de o petróleo norte-americano ter negociado abaixo dos 70 dólares por barril no início de Julho, evidenciando a dimensão da recuperação registada nos últimos meses. O WTI voltou a ultrapassar os 100 dólares pela primeira vez desde Maio.
A subida dos preços está directamente relacionada com o aumento dos riscos sobre as cadeias de abastecimento de petróleo no Médio Oriente. Os ataques entre os Estados Unidos e o Irão intensificaram-se, enquanto os houthis, aliados de Teerão, assumiram o controlo do porto de Mocha, no Iémen, aumentando as preocupações em torno da segurança da navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.
O estreito de Ormuz continua igualmente no centro das preocupações dos mercados. O aumento dos ataques contra navios e petroleiros elevou o chamado prémio de risco geopolítico, com os investidores a anteciparem possíveis interrupções prolongadas no fornecimento de crude proveniente do Golfo.
A recuperação no preço do petróleo acontece devido a preocupação com a inflação. A subida dos preços da energia pode aumentar os custos de transporte, produção e bens de consumo, pressionando igualmente os bancos centrais a manterem uma política monetária mais restritiva.
Para os países produtores de petróleo, a subida acima dos 100 dólares representa, por outro lado, uma melhoria significativa das perspectivas de receitas de exportação. Angola, enquanto produtor africano de crude, poderá beneficiar de preços mais elevados, embora o impacto efectivo dependa da produção, dos volumes exportados e da evolução do mercado nos próximos meses.

