O comunismo, que todos acreditávamos estar morto e enterrado enquanto ideologia — que muitos consideram utópica, por ser tão exigente e, alguns diriam, perfeita — está sob ataque!
Como já fiz questão de mencionar aqui na minha página, o capitalismo entrou em crise após a crise de Wall Street, em 2008. Como quase tudo o que se passa neste mundo e que tem, de facto, importância, passou despercebido à maioria dos mortais. Os estudiosos defendem que, na verdade, o comunismo nunca foi embora. Académicos da Escola de Frankfurt continuaram a estudar a ideologia, e outros seguiram-lhes o passo.
Pensar e dizer que o comunismo já era é um dos maiores erros do nosso tempo. Ele está aí e, pela reacção de determinados políticos, está a vir com força. Por isso Cuba não é engolida: um dos principais objectivos dos detratores do comunismo — sim, comunismo, aquele mesmo que nenhuma sociedade alguma vez vivenciou, mas isso não faz dele algo impossível, pelo contrário, e Cuba atreveu-se a mostrar que ele é possível nas doses exactas.
Então Cuba tornou-se, novamente, um alvo a abater. Para os capitalistas deste mundo é atrevimento demais os cubanos, os seus “vizinhos pobres” que professam uma religião (ideologia) “morta”, andarem aí armados em salvadores do mundo, exportando médicos para países tão pobres quanto eles, a formarem de graça os “desgraçados” dos palestinianos e a receber turistas americanos, alguns dos quais vão a Havana à procura de um sistema de saúde que o capitalismo propagou por muitos anos como uma autêntica desgraça.
Como assim? Como é que uma ilha, a cair aos pedaços devido a um embargo que dura décadas — seis décadas, para sermos exactos — pode ter um sistema de saúde mais eficaz e organizado que o dos Estados Unidos, o maior exemplo do triunfo capitalista? A verdade que dói e custa acreditar é que não há cubanos a morrer em Havana por não terem condições de pagar o healthcare, como vimos acontecer nos EUA. A verdade é que, na Cuba comunista, os cubanos frequentam os hospitais sem precisar de desembolsar os balúrdios que muitos norte-americanos de classe média são obrigados a gastar, e os pobres, a classe mais baixa, passaram a ter de se automedicar, isso quando não recorrem ao ChatGPT para conselhos médicos. Pasme-se.
É por essas e por outras que milhares de norte-americanos estão a trocar a América pela Europa, onde os serviços sociais e de saúde são mais affordable do que nos Estados Unidos. É por isso também que Donald Trump anda fulo com os europeus, porque durante mais de 80 anos viveram à sombrinha dos americanos, sobrando-lhes dinheiro para um sistema de wealthcare eficaz para os seus cidadãos, enquanto os seus primos do outro lado do oceano gastavam rios de dinheiro para lhes garantir segurança, principalmente em defesa, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
E o comunismo assusta ainda mais quando um jovem político, sem apelido anglo-saxónico, vence as eleições numa das maiores e mais importantes cidades americanas — o Estado de Nova Iorque — e começa a implementar, ou a falar de, algumas políticas socialistas, como, por exemplo, ajudar os mais desfavorecidos e os jovens a pagar as rendas de casa, cada vez mais caras.
E Trump parece mesmo assustado, pois desde a semana passada que não para de atacar aqueles que considera “comunistas disfarçados de socialistas”, como disse ontem durante a conferência de imprensa na Casa Branca. E parece que arranjou um aliado que, aliás, tudo faz para agradar ao amigo americano — isso quando não está a idolatrar Netanyahu — que é o Presidente da Argentina, Javier Milei.
Ana Margoso (Jornalista e especialista em Ciências Políticas e Relações Internacionais)


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