A Confederação dos Estados do Sahel (AES), formada pelo Burkina Faso, Mali e Níger, acusou os militares envolvidos na recente tentativa de motim no Níger de terem protagonizado uma “campanha de desestabilização” contra o regime de Niamey, afirmando sentir-se “traída” pela revolta.
Os confrontos ocorreram durante a madrugada de sábado, quando elementos das forças armadas atacaram posições estratégicas na capital, incluindo a Base Aérea 101, a zona do Aeroporto Internacional Diori Hamani e áreas próximas do Palácio Presidencial. Os combates foram acompanhados por intensos tiroteios e explosões em diferentes pontos de Niamey.
As autoridades militares afirmaram, entretanto, ter recuperado o controlo da Base Aérea 101 e de outras instalações ocupadas pelos amotinados, atribuindo o restabelecimento da ordem à intervenção das forças de defesa e segurança.
O episódio constitui um novo desafio para o general Abdourahamane Tiani, que assumiu o poder na sequência do golpe de Estado de Julho de 2023 e desde então tem procurado consolidar o controlo sobre o país.
A tentativa de revolta ocorre num contexto particularmente delicado para o Níger, que enfrenta uma persistente ameaça de grupos jihadistas associados à Al-Qaida e ao Estado Islâmico, ao mesmo tempo que procura reforçar a sua estrutura de defesa após o afastamento das forças ocidentais.
A crise coloca também à prova a capacidade da AES para preservar a solidariedade entre os três regimes militares que integram a organização. O Burkina Faso e o Mali manifestaram apoio às autoridades de Niamey perante a tentativa de motim, reafirmando a cooperação entre os três países.
Criada pelo Burkina Faso, Mali e Níger depois da ruptura com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a AES procura apresentar-se como uma alternativa de cooperação política e militar na região do Sahel.
A revolta em Niamey, contudo, introduz uma nova preocupação para os três governos: a possibilidade de a instabilidade deixar de estar concentrada nas ameaças externas e passar a manifestar-se dentro das próprias estruturas militares que sustentam os regimes.
Para a AES, a questão já não é apenas garantir a segurança das fronteiras ou combater os grupos armados. É também preservar a coesão interna dos seus membros e evitar que fissuras dentro das forças de segurança possam transformar-se em novas ameaças à estabilidade dos regimes militares.

