A Airtel Africa lançou, a 14 de Agosto, na República Democrática do Congo (RDC), o Starlink Mobile, um serviço de conectividade móvel apoiado pela rede de satélites da Starlink, permitindo aos clientes da operadora manterem-se ligados em zonas onde não existe cobertura das redes terrestres. O lançamento, realizado em Kinshasa, representa a primeira implementação comercial deste serviço em África.
A nova solução permite que telemóveis compatíveis estabeleçam ligação directamente aos satélites da Starlink, sem necessidade de instalação de antenas ou de outro equipamento adicional. Para utilizar o serviço, os clientes precisam de um aparelho compatível e de uma área com visibilidade desimpedida para o céu.
O lançamento resulta do acordo estabelecido entre a Airtel Africa e a SpaceX, empresa de Elon Musk que opera a Starlink, para introduzir a tecnologia Direct-to-Cell nos 14 mercados africanos onde a operadora está presente. O acordo, anunciado em Dezembro de 2025, prevê o início dos serviços com mensagens de texto e dados destinados a aplicações seleccionadas, estando a expansão dependente das autorizações regulamentares em cada país.
A tecnologia procura resolver uma das principais limitações da expansão das redes móveis em África: os elevados custos de construção e manutenção de infra-estruturas em zonas rurais, remotas ou de difícil acesso. Ao recorrer a satélites de órbita terrestre baixa, a Airtel poderá estender a sua cobertura para áreas onde a instalação de torres de telecomunicações ou de redes de fibra óptica é economicamente difícil.
A entrada da Starlink no segmento de conectividade directa para telemóveis acrescenta também uma nova dimensão à concorrência no sector no continente na área das telecomunicações. Os operadores tradicionais passam a poder utilizar a tecnologia de satélite para complementar as suas próprias redes, ao mesmo tempo que enfrentam a possibilidade de empresas espaciais entrarem directamente em mercados anteriormente dominados pelas redes móveis convencionais.
A Airtel Africa vinha a testar a tecnologia antes do lançamento comercial na RDC. A empresa realizou testes de mensagens e dados no Quénia, em Março, e no Uganda, em Maio, tendo também efectuado testes de conectividade directa entre satélite e telemóvel em Madagáscar, em Julho.
A estratégia da Airtel faz parte de uma corrida mais ampla para levar a conectividade a populações que permanecem fora do alcance das redes tradicionais. A parceria com a SpaceX deverá permitir à operadora utilizar a tecnologia Direct-to-Cell para complementar a sua rede terrestre e chegar a clientes em regiões remotas, mantendo o mesmo número de telefone e a ligação através dos dispositivos compatíveis.

