31 de Agosto, 2026
Luanda, Angola
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Angolanos não precisam de visto para visitar Macau

Os cidadãos angolanos passarão a beneficiar de isenção de visto para entrar na Região Administrativa Especial de Macau, na China, depois da assinatura de um acordo de dispensa mútua de vistos entre os governos de Angola e Macau.

A medida foi anunciada por meio de uma ordem executiva assinada pelo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, publicada no Boletim Oficial da região.

O documento autoriza o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, a concluir o acordo com o Governo angolano.

Para o presidente da Assembleia-Geral da Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), Pedro Lobo, a iniciativa deverá facilitar as deslocações de empresários e contribuir para o fortalecimento das relações comerciais entre Angola e Macau.

Segundo o dirigente, a medida ganha ainda mais importância após o anúncio do encerramento do Consulado de Angola em Macau.

Em Maio do presente ano, o Ministério das Relações Exteriores de Angola informou o encerramento de quatro consulados, incluindo o de Macau, justificando a decisão com a necessidade de racionalizar recursos e reduzir despesas nas representações diplomáticas.

Pedro Lobo afirmou que empresários angolanos enfrentavam frequentemente dificuldades para viajar até Macau, sobretudo devido às exigências de vistos de trânsito em Hong Kong.

Na sua avaliação, a isenção de visto elimina parte dessas dificuldades e oferece maior previsibilidade às viagens de negócios.

Voos directos continuam a ser um desafio

Apesar de considerar a medida positiva, Pedro Lobo destacou que o impacto poderá ser ainda maior caso sejam estabelecidas ligações aéreas directas entre Angola e Macau ou cidades próximas, como Hong Kong e Cantão (Guangzhou).

Segundo ele, a melhoria da conectividade aérea será fundamental para impulsionar o comércio, os investimentos e o intercâmbio empresarial entre as duas regiões.

Com o novo acordo, Angola torna-se o quarto país de língua portuguesa cujos cidadãos podem entrar em Macau sem visto prévio, juntando-se a Portugal, Brasil e Cabo Verde.

Macau desempenha, desde 2003, o papel de plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, por meio do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).

O organismo reúne os nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Apesar da flexibilização dos vistos, Macau mantém medidas sanitárias relacionadas ao surto de Ébola na região africana.

As autoridades locais estabeleceram um período de vigilância de 21 dias para viajantes provenientes de dez países africanos considerados de risco, entre eles Angola, devido à proximidade com a República Democrática do Congo, onde teve início o actual surto da doença.

Em consequência dessas medidas, artistas angolanos não participam da edição deste ano da Semana Cultural China –Países de Língua Portuguesa, realizada em Macau.

Em outra frente da cooperação bilateral, Angola e Macau assinaram, em Maio de 2025, um acordo para o intercâmbio de informações destinadas ao combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça.

Fonte: Lusa

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